LAÍRE ROSADO: Rápida análise sobre as eleições municipais de 2020

O resultado das eleições de 2020 mostrou que, este ano o eleitor preferiu apostar em quem ele já conhece e confia, abandonando o espírito de aventura e não repetindo o que aconteceu em 2018, quando elegeu o presidente Bolsonaro e grande parte do Congresso Nacional.
O exemplo da reeleição de Álvaro Dias repetiu-se em outros municípios, com o eleitor aprovando os prefeitos que se saíram bem na administração, ressaltando a condução do combate ao Covid-19. Votou em quem ele confia ou em candidatos que receberam o apoio desse administrador.
Os extremos, direita e esquerda, não foram bem sucedidos. Os analistas consideram que o presidente Bolsonaro foi derrotado, mas o PT, por sua vez, também teve resultado desfavorável, com o pior desempenho desde que o partido foi fundado. Elegeu sua primeira prefeita, Maria Luiza, em 1985, em Fortalezas, e nunca havia ficado sem um prefeito de capital, como aconteceu em 2020.
Depois do impeachment da presidente Dilma Rousseff, o apogeu das manifestações antipetistas e o auge da operação Lava Jato o partido não conseguiu se reerguer, precisando passar por uma renovação em seus quadros e deixar de ser o partido do passado. Em relação à esquerda propriamente dita, duas candidaturas foram apresentadas que poderão assumir posições de lideranças, Guilherme Boulos em São Paulo e Manuela D`Ávila em Porto Alegre.
Os democratas comemoram o crescimento do partido em quantidade de prefeituras conquistadas, ao lado do PSDB e do MDB. Esses três partidos analisam a possibilidade de uma união para a eleição de um candidato único que reúna o centro na sucessão do presidente Bolsonaro.
No primeiro turno deste ano, a direita já havia se consolidado com a eleição de maior número de prefeitos. No segundo turno, houve fortalecimento do centro-direita em cidades importantes como Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo.
A partir desses resultados, os partidos vitoriosos terão cerca de dois anos para o entendimento em torno da sucessão presidencial. Esquerda, Centro e direita moderada, cada um a sua conveniência, poderão se unir para o enfrentamento ao presidente Bolsonaro, ou terão que assistir a sua reeleição em 2022.