LAÍRE ROSADO: O Inevitável Retorno à velha política

Roberto Cardoso Alves foi deputado federal por São Paulo por quatro mandatos e ex-ministro da Indústria e Comércio do presidente José Sarney. No Congresso Constituinte foi líder do “Centrão”, grupo suprapartidário conservador.

Robertão, como era mais conhecido, trabalhou a aprovação do mandato presidencial de Sarney de quatro para cinco anos. Após a votação, explicou o resultado só positivo parodiando a Oração de São Francisco de Assis, “é dando que se recebe”.

Jânio Quadros usou uma vassoura como símbolo de sua campanha presidencial; para varrer a sujeira do país, explicava. Fernando Collor de Melo promoveu a caça aos marajás, para eliminar a corrução na política. O presidente Jair Bolsonaro ganhou a simpatia do brasileiro com a promessa de “combater a velha política”.

Com o discurso de combate à velha política, não precisou defender programas administrativos. De quebra, elegeu senadores, deputados federais e deputados estaduais que repetiram esse discurso, de forma bem resumida. Bastava dizer que apoiava Bolsonaro.

Depois de várias derrotas no Congresso, a demissão de alguns ministros e o atual desentendimento com o ministro da Justiça Sérgio Moro, o presidente Bolsonaro, depois de repetir que não queria negociação nenhuma e que “o povo está no poder, entregou os pontos.

Melhor que inviabilizar a administração é ceder às regras da política, como acontece em todas nações democráticas. Bolsonaro assumiu pessoalmente essa negociação com parlamentares, discutiu nomeações, entrega de ministérios, liberação de verbas e tudo mais que diz respeito à política.

O ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, coordenador parlamentar do Planalto assegura que o entendimento entre Executivo e parlamentares nada tem a ver com o “é dando que se recebe”. É possível que sim, mas ficou impossível esconder que, dessa negociação, participavam figuras como os ex-deputados Roberto Jefferson e Valdemar da Costa Neto, legítimos representantes da “velha política”.

Mesmo assim, o importante é que o Governo encontre seu rumo e o Brasil possa sair com menos sequelas das crises que atualmente enfrenta.