Laíre Rosado: É preciso evitar o desgaste das Forças Armadas

Forças armadas no desfile cívico-militar de 07 de setembro na Esplanada dos Ministérios
Foto Agência Brasil

O chefe do Estado Maior do Conjunto das Forças Armadas dos Estados Unidos, general Mark Milley, surpreendeu o mundo ao pedir desculpas por ter participado de ato político ao lado do presidente Donald Trump.

Em sua justificativa, disse acreditar que sua atitude poderia ser interpretada como envolvimento dos militares na política interna do País.  O ato do qual ele participou, em Washington, contou com a dispersão de uma multidão pela polícia, com uso de balas de borracha e gás lacrimogêneo. Os manifestantes protestavam contra o racismo.

O presidente Bolsonaro convocou centenas de militares para servirem ao seu governo, muitos deles, generais da ativa e da reserva, em postos de destaque. O vice-presidente da República, Antônio Hamilton Martins Mourão, é general da reserva. No Brasil, esses militares estão permanentemente convocados para explicitarem o apoio ao Governo.

Entretanto, não é a unanimidade dos militares brasileiros que concordam com essa situação. E, o exemplo do general Mark Milley. Um general brasileiro que preferiu não se identificar afirmou que essa atitude “foi um ato muito digno e que pode influenciar comportamentos daqui por diante”.

Lembrando que o comandante do Exército, general Edson Leal Pujol tem agido para evitar a politização da Forças Armadas, um outro general lembra que “em qualquer país com um pouco de amadurecimento político, é normal que as Forças armadas fiquem foras das disputas políticas.

Militares que não participam do governo Bolsonaro estão preocupados com o desgaste a que as Forças Armadas estão submetidas. Há uma série de episódios em que o presidente da República expõe militares que ocupam cargos no primeiro escalão do governo. Por esse motivo, estão preocupados com a reação negativa que vem crescendo em todos os setores, não apenas no Brasil, mas, também, no exterior.

O presidente do TSE, ministro Luiz Roberto Barroso, preocupado com essa conjuntura fez uma advertência aos militares:  “Evitar a contaminação das Forças Armadas no varejo da política é uma missão de todos os democratas. O fato de haver militares no governo não faz do governo um governo das Forças Armadas, porque as Forças Amadas não pertencem a governo. E quem quer que seja das Forças Armadas e esteja no governo desempenha uma função civil”.

LAÍRE ROSADO

Médico e ex-deputado federal