Laíre Rosado: CPI E ELEIÇÕES

Uma Comissão Parlamentar de Inquérito é instrumento político poderoso que pode até destruir um governante. Tem sido assim ao longo dos tempos, com exemplos de impeachments e substituições de ocupantes do executivo.

Em nível nacional, o país assiste uma investigação dessa natureza, sobre fatos relacionados ao alastramento da pandemia da covid-19 que já vitimou quase meio milhão de pessoas. A responsabilidade maior nesse desastre cabe ao presidente da República, como vai ficando cada vez mais evidente.

Na Constituição brasileira, o chefe da nação é ao mesmo tempo executor, mandante e autor das decisões. Quando os resultados de alguma ação são positivos o mérito vai todo para o presidente. O mesmo acontece com o ônus, que pode estruir a imagem de quem ocupa o posto de comando.

A CPI da Covid tem trazido sérios prejuízos ao presidente Bolsonaro, que vai registrando quedas sucessivas de popularidade, a cada pesquisa de opinião púbica sobre seu governo. Além disso, sua imagem pessoal acompanha essa queda, não sendo possível dissociar um aspecto do outro.  Em cada brasileiro que morre por conta da pandemia vai ficando alguma contrariedade com o governo.

Diferente de CPIs anteriores, a do Senado que apura irregularidades n condução do combate à pandemia poderá ser encerrada no tempo previsto, sem outras delongas. E, o que foi investigado até o momento já deixou grande prejuízo para o presidente Bolsonaro.

No Rio Grande do Norte, deputados estaduais de oposição aprovaram e instalaram uma CPI para apurar possíveis irregularidades do governo estadual, relacionadas à administração de recursos para o combate ao mesmo Covid-18. São verbas encaminhadas pelo governo federal que a oposição quer saber se foram corretamente aplicadas.

O objetivo da CPI pode não ser eleitoral, mas é bom lembrar que, no próximo ano, os mandatos dos atuais ocupantes de cargos eletivos serão renovados e a CPI pode se transformar em um bom discurso. É bom acompanhar de perto o que está para acontecer e se haverá prejuízo para a governadora Fátima Bezerra.