Izabel Montenegro encerra audiência e impede debate de soluções para a saúde

A decisão da vereadora Izabel Montenegro (PMDB) de encerrar abruptamente a audiência pública para prestação de contas da saúde de Mossoró, ontem, na Câmara Municipal, provocou mal-estar no plenário e indignação de outros vereadores presentes, como Tomaz Neto (PDT), Genivan Vale (Pros) e Francisco Carlos (PV).

Sobretudo, porque a parlamentar terminou a reunião no momento em que vereadores questionavam a secretária municipal de Saúde, Leodise Cruz, sobre problemas do setor. E, quando o debate começava a ficar acalorado, Izabel Montenegro deu por encerrada a audiência pública, o que causou revolta e bate-boca no plenário.

Um dos mais exaltados foi Tomaz Neto (PDT). “Uma vergonha, é uma tentativa de tolher a verdade”, protestou o vereador. Genivan Vale (PR) pediu para que a vereadora evocasse o artigo do Regimento Interno que embasava o encerramento. Mas, Izabel Montenegro se limitou a dizer que encerrou “por falta de condições de continuar”.

ACIRRAMENTO
A reunião já começou tensa, com Tomaz Neto exigindo cópia da apresentação da Secretaria de Saúde. Porém, a forma como Izabel Montenegro conduziu a audiência, sem demonstrar equilíbrio político e habilidade administrativa, criou embaraços, e o que seria uma audiência técnica descambou para enfrentamento político.

Em nota oficial, Genivan Vale repudiou a atitude da vereadora. “Desde o início da audiência, ela se comportou de maneira deselegante, cerceando a fala dos vereadores, inclusive mandando cortar o microfone de Tomaz Neto. Lamentamos que, na tentativa de blindar o prefeito Francisco José Júnior, alguns vereadores tomem esse tipo de atitude tão prejudicial à população”, protestou.

O vereador acrescentou que, durante a audiência, por diversas vezes, foi dificultada a transparência da prestação de contas, como a apresentação de um relatório extremamente técnico, de difícil compreensão para os cidadãos; a ausência de cópias do relatório para os vereadores, bem como a dificuldade em fornecer essas cópias.

Vereador diz que ‘houve clara tentativa de esvaziar reunião

Também presente à reunião, o vereador Francisco Carlos (PV) avalia que a audiência para prestação de contas da saúde pública em Mossoró não atingiu o objetivo principal. Apenas cumpriu formalidade meramente protocolar.

“Houve nítida e clara tentativa de esvaziamento. Não foi divulgada suficientemente, foi convocada na própria semana da realização, para uma sexta-feira, e iniciada próximo as 11h. Tudo para limitar a participação popular e a discussão”, lamentou.

Audiência também não cumpriu objetivo, segundo Francisco Carlos, porque não apresentou relatório físico-financeiro, o que impossibilitou análise mais aprofundada, como comparação com o primeiro quadrimestre de 2015 e com anos anteriores.

“A reunião também ficou totalmente comprometida, pois não apresentou o que é planejado. Isso impede avaliação para concluir se o que foi colocado condiz ou não com as expectativas da população e do próprio movimento sanitário”, complementa.

Portanto, para o vereador, a audiência pública se tornou “pantomima e sem efeito prático”. Para piorar ainda mais, foi encerrada de forma abrupta, em pleno debate, o que gerou bate-boca e tolheu análise de soluções para os problemas da saúde.