Investimento na 1ª infância é estratégia eficiente para eliminar extrema pobreza

As intervenções integradas na primeira infância são cruciais para melhorar as vidas das famílias e comunidades e o investimento no desenvolvimento dessa fase da vida é uma das estratégias mais eficientes para um país eliminar a extrema pobreza, promover o crescimento econômico inclusivo e ampliar a igualdade de oportunidades.

A afirmação foi feita na terça-feira (1) em Brasília (DF) pelo coordenador-residente do Sistema ONU no Brasil, Niky Fabiancic, durante a abertura do III Seminário Internacional “A Qualificação das Ações do Programa Criança Feliz e o Impacto das Políticas de Atendimento à Primeira Infância”.

“O Sistema ONU no Brasil se aliou ao Programa Criança Feliz desde sua criação. Ações destinadas a garantir o desenvolvimento cognitivo, emocional e social de meninos e meninas de famílias vulneráveis são indispensáveis e, num país com as dimensões do Brasil, são também um grande desafio”, disse o chefe da ONU Brasil.

Lançado em outubro de 2016, o Programa Criança Feliz é uma iniciativa do Ministério da Cidadania que vem recebendo apoio de um grupo de cinco entidades das Nações Unidas, liderado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e composto por Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Fundo de População da ONU (UNFPA), Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e ONU Mulheres.

A parceria entre o Criança Feliz e as Nações Unidas recebe apoio do Fundo Conjunto para os ODS (Joint SDG Fund), uma iniciativa global para acelerar a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030.

Propondo brincadeiras e atividades de comunicação, os visitadores domiciliares do programa presente em 2,9 mil municípios buscam incentivar o desenvolvimento de habilidades motoras, de linguagem, cognitivas e socioemocionais das crianças, além de fortalecer vínculos entre cuidador e criança.

O evento em Brasília, que ocorre até quinta-feira (3), visa propor estratégias estruturais para a promoção do desenvolvimento infantil e do fortalecimento de vínculos, por meio da qualificação das ações do PCF, levando em consideração os diferentes contextos socioeconômicos, geográficos e culturais. O encontro tem transmissão ao vivo pela Internet.

Durante a pandemia, as equipes do programa têm realizado atendimento remoto ou visitas domiciliares com distanciamento físico (na porta das residências), no caso de famílias que não têm acesso ao celular e à Internet.

“Apoiamos o Ministério da Cidadania na busca por soluções inovadoras para seguir apoiando as crianças e suas famílias de forma segura durante a pandemia”, disse o Fabiancic.

As agências da ONU também apoiaram capacitação de profissionais do programa, o uso de tecnologias e o aprimoramento dos serviços oferecidos pelo PCF, além da divulgação de informações confiáveis sobre a pandemia.

“É importante ressaltar que os impactos dessa iniciativa vão além das crianças diretamente atendidas pelo programa. Suas famílias, suas comunidades e toda a rede de assistência e cuidado com essas crianças também são beneficiadas”, concluiu Fabiancic, convidando os municípios que ainda não aderiram ao programa a fazê-lo.

Lembrando que as famílias com crianças e adolescentes tiveram a maior queda de renda durante a pandemia de COVID-19, a representante do UNICEF no Brasil, Florence Bauer, alertou sobre os efeitos da atual crise socioeconômica na primeira infância, incluindo a má nutrição.

“Isso tem um impacto ainda mais profundo na primeira infância porque a gente sabe que a falta de micronutrientes e de proteína nessa fase pode ter efeitos no desenvolvimento do cérebro”, disse, completando que famílias também têm relatado estarem consumindo mais produtos industrializados e de menor valor nutricional.

A representante do UNICEF no Brasil falou sobre os efeitos do fechamento das escolas sobre crianças e adolescentes no Brasil, incluindo aquelas que frequentam a educação infantil, para a qual a educação remota se torna ainda mais desafiadora.

“Por isso, crianças e adolescentes precisam ser priorizados”, disse. “O PCF, que é um dos programas para a primeira infância mais bem reconhecidos internacionalmente, oferece essa oportunidade única para investir nessa fase da vida. Ele tem a característica da integração, por juntar assistência social, saúde, educação, cultura, direitos humanos, para apoiar o desenvolvimento pleno da criança.”

“Nessa fase de pandemia, o programa oferece a oportunidade única de ser expandido e de chegar às crianças e adolescentes mais vulneráveis”, completou.

O ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, afirmou ser possível atingir a meta de 2 milhões de crianças atendidas pelo programa no próximo ano, número que está atualmente em torno de 900 mil.

“Vamos trazer os novos prefeitos a Brasília, fazer com que compreendam a importância de aderir ao programa”, declarou. Atualmente, há 1,5 mil municípios elegíveis a aderir ao PCF, segundo informações do Ministério da Cidadania.