Dinheiro extorquido de empreiteiros teria sido usado na campanha de Henrique Alves ao Governo do RN em 2014.

Investigação revela atuação de Eduardo Cunha na captação de recursos para a campanha de Henrique Alves

O Ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves (PMDB), é citado em matérias dos jornais O Globo e O Estado de São Paulo como beneficiário de esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato.

As irregularidades em prol do ex-deputado federal do RN envolvem o atual presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB) e o ex-presidente da empreiteira OAS, José Adelmário Pinheiro Filho (conhecido como Leo Pinheiro), condenado a 16 anos e quatro meses de prisão.

Conforme mostrou o conteúdo de mensagens no aplicativo whatsapp, Eduardo Cunha pressionou os empresários para que efetuassem doações para a campanha de Henrique Alves ao governo do Rio Grande do Norte em 2014, na qual foi o atual ministro do turismo derrotado por Robinson Faria (PSD).

Na época, Eduardo Cunha ainda não era presidente da Câmara dos Deputados, o cargo era ocupado por Henrique Alves.

O relatório de investigação da Polícia Federal (PF) sobre o esquema de corrupção detalha conversas entre Eduardo Cunha e Léo Pinheiro nos dias 10, 13, 15, 16, 17 e 21 de outubro de 2014, antes do segundo turno das eleições estaduais.

Após 11 dias de cobranças contra o empreiteiro, Cunha propõe que Benedicto Barbosa da Silva Junior, presidente da Odebrecht Infraestrutura, doe dinheiro para a campanha de Henrique Alves em nome de Léo Pinheiro e o representante da OAS concorda.

As investigações da PF revelam ainda que, na prestação de contas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Henrique Eduardo Alves declarou ter recebido R$ 5,5 milhões Odebrecht para a campanha de 2014, divididos em cinco doações.

Deste montante, quatro depósitos somando R$ 4 milhões são provenientes de cheques emitidos nos dias 23, 24 e 27 de outubro daquele ano, dias depois da mediação de Eduardo Cunha.

Além de Henrique Alves e Eduardo Cunha, o ministro da Comunicação Social, Edinho Silva (PT) e o ministro-chefe da Casa Civil, Jacques Wagner (PT), são citados nas investigações da PF. A Procuradoria Federal avalia pedido de abertura de inquérito contra Jacques Wagner.

 

Confirma abaixo o conteúdo da conversa entre Eduardo Cunha (PMDB) e Leo Pinheiro, da empresa OAS, divulgadas pelo jornal O Globo:

“10-10-2014:

Cunha: Vê Henrique seg turno (sic)

Pinheiro: Vou ver.

13-10-2014:

Cunha: Amigo a eleicao e semana que vem, preciso que veja urgente (sic)

Pinheiro: Vai estar em Bsb?

Cunha: Vc manda. Se quiser meu apto

Pinheiro: Fechado.

15-10-2014:

Cunha: Henrique amigo?

Pinheiro: Está muito complicado.

Cunha: Mas amigo tem de encontrar uma solução senão todo esforço será em vão

17-10-2014:

Cunha: Amigo qual a saída para Henrique?

Pinheiro: Infelizmente não tenho.

Cunha: Vc ja voltou? (sic)

Pinheiro: Estou no Peru. Devo estar no Rio no domingo. Abs.

Cunha: Vamos falar. Não dá para pedir aos alemães?

21-10-2014:

Cunha: Tudo bem? Deixa falar tive com junior pedi a ele para doar por vc ao henrique acho que ele fará algo. Tudo bem? (sic)

Pinheiro: Ok

Cunha: Preciso que de um reforço ao junior ao menos 1 dele da sua conta precisava de emergencia” (sic).