Igreja convida a todos a viver o espírito natalino o ano todo

Tradicionalmente o Natal é um tempo de reflexão e solidariedade. O espírito natalino envolve a grande maioria das pessoas, aflorando os sentimentos de bondade, de perdão e de amor ao próximo. Mas, por que não vivenciar o tempo bom do Natal durante todo o ano?

Para padre João Medeiros, a Igreja convida a todos os cidadãos a viver a boa-nova do Natal todos os anos. “A cada missa Jesus nasce no meio de nós e nos liberta, convidando-nos a celebrar o ano todo o amor e a fraternidade”, revela o pároco.

Ele explica que o nascimento de Jesus Cristo é um acontecimento marcante, não apenas para a Igreja, mas para a história como um todo. “Desde a antiguidade, nos relatos da mitologia grega, o sonho dos povos sempre foi ter Deus perto de si”, informa o padre, destacando que o nascimento de Cristo é a concretização desse sonho: “O verbo de Deus se fez carne e habitou entre nós” (JO 1:14).

Além da questão religiosa, há toda uma simbologia quanto ao nascimento. “Uma criança frágil, terna, meiga, desarma as pessoas”, observa o padre. E, segundo ele, é isso que o espírito natalino faz todos os anos, envolve as pessoas com os sentimentos de amor e desperta nas pessoas o desejo de solidariedade, comunhão com Deus, de fazer as pazes com os irmãos, de espalhar bons sentimentos.

Na avaliação do religioso, o que acontece no Natal é o fenômeno semelhante a outras datas comemorativas, como Dia das Mães e Dia dos Pais, quem têm forte apelo comercial. E sua celebração em um período específico se dá mais pela força do costume do que tanto pelo significado da data.

“As pessoas ficam despercebidas e aguardam dias especiais para celebrar algo que devia ser lembrado o ano todo. Como o Dia das Mães ou dos Pais. Todo dia é dia da mãe, todo dia é dia do pai. Então, a igreja convida a viver o Natal todos os dias, celebrando o nascimento de Jesus Cristo, a presença de Deus no meio de nós”, destaca.

Cidadãos relatam exemplo de atos contínuos de solidariedade

“O espírito de solidariedade não pode estar presente apenas no Natal”. É assim que pensa boa parte das pessoas, que não usa ao período de fim de ano como argumento para fazer boas ações. Pessoas que ao longo do ano tiram um pouco do seu tempo para fazer mais feliz e menos sofrida a vida do outro. Pessoas como a empresária Milza Pinheiro.

Há alguns anos, Milza Pinheiro decidiu doar um pouco do que tem para pessoas que passam dificuldades na vida. Uma rotina, que se transformou em um ciclo de solidariedade. Além das doações pessoais, a empresária incentiva aos alunos de sua academia a fazerem o mesmo.

“Todos os meses coloco no mural da academia uma relação com crianças atendidas pela Casa do Caminho e convido meus alunos a “apadrinhar” alguma das crianças e assim eles doarem roupas, alimentos ou outro material que a criança necessita”, revela Milza. As doações são feitas periodicamente.

A design Sanara Costa participa de um grupo da igreja “Bola de Neve” que desenvolve ações periódicas em prol das pessoas menos favorecidas. “Temos um ministério chamado ação social e todo culto nós arrecadamos alimento pra abençoar famílias carentes. Boa ação precisamos fazer o ano todo mesmo”, revela.

Exemplo semelhante é seguido pelo engenheiro agrônomo Alexandre Dantas. Ele participa de um grupo chamado “Amigos do Bem”, que todos os meses se reúne para oferecer apoio com doações a entidades e instituições que cuidam de pessoas carentes.

Alexandre conta que a ideia surgiu por iniciativa de sua mãe. “Minha mãe ouviu na rádio o relato de que os residentes da Casa do Estudante estavam precisando de alimento e, sensibilizada com a situação, mobilizou um grupo de amigos para fazer a doação”. Ele revela que em três dias o grupo conseguiu arrecadar 150 quilos de alimentos.

Foi então, que as pessoas com interesse comum decidiram criar um grupo no WhatsApp e organizar as ações de doações. “Acredito que enquanto Cristãos é nossa obrigação dividir o que temos. Quem tem um pouco mais deve servir a quem tem menos. Quando fazemos o bem ao próximo, estamos fazendo o bem a nós mesmos”, avalia.