sábado, 31 de janeiro de 2026
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Governo do Brasil deseja 50 caças suecos; para especialista, aeronaves são ‘protótipos’

Inicialmente, eram previstas 66 aeronaves, estratégia que foi reduzida para 50 para acelerar o processo. O plano para reestruturar a FAB segue a todo vapor, com contrato para a compra de 40 e que abre a possibilidade de ampliar para outros dez — atualmente, seis já estão em solo brasileiro e uma parte será produzida pela Embraer em Araraquara, no interior de São Paulo, com suporte da companhia sueca Saab.
Em entrevista à Sputnik Brasil, o especialista em assuntos militares Pedro Paulo Rezende disse que os caças F-39 (para um piloto) e F-39F (dois pilotos) são considerados “protótipos” na Suécia.
“Esse caça foi definido como padrão da FAB em uma concorrência, e selecionado como o principal do país [após as substituições, todos os caças brasileiros serão da marca sueca]. Inclusive, a ideia inicial era ter mais lotes e chegar até 108. A questão é que o avião não está se adaptando bem ao Brasil. Aqui, ele foi declarado operacional, mas nunca disparou um tiro e nem um míssil, porque os adaptadores que permitem levar essas armas não foram entregues ainda”, argumenta.
Apesar disso, o jornalista pontua que é crucial trocar a frota, composta por pouco mais de 50 aeronaves — os supersônicos Northrop F-5EM Tiger II e caças-bombardeiros A-1M, que serão desativados até 2029.
“Não é um desperdício de dinheiro. O problema é que é um avião completamente novo, em fase inicial de avaliação. Mas os nossos atuais caças operacionais estão simplesmente se desmanchando no ar, possuem 50 anos de uso”, enfatiza.
A negociação é de quase 40 bilhões de coroas suecas ou quase R$ 20 bilhões, pagos em parte através de um financiamento de 25 anos.

Tecnologia já é defasada

Os problemas com o caça não se limitam à falta de operacionalidade, mas também são tecnológicos. Conforme o especialista em assuntos militares, o Gripen é da chamada quarta geração e meia de caças.
“Só para ter uma ideia, nos Estados Unidos já se discute a sexta geração, a Rússia tem a quinta e estuda a sexta. China está com dois projetos de quinta em uso, Turquia tem uma pesquisa própria. França, Alemanha, Espanha, Reino Unido e Itália desenvolvem a sexta geração. O atraso é muito grande“, enfatiza.
Pedro Paulo Rezende lembra que os caças de sexta geração são invisíveis (sobrevoam sem serem detectados por radares) e possuem altíssima capacidade para processar dados. “É como comparar um computador da década de 1960 [os atuais caças brasileiros] com um atual”, afirma. Na comparação com outros países da América do Sul, a posição da Força Aérea do Brasil, para o especialista, não é nada confortável.

“Atualmente está bem mal, porque estamos com um avião muito defasado, que é o F5. Tem gente que fala que teremos a força mais poderosa da América Latina [com os novos caças], mas o Chile está modernizando os F-16 deles. A Argentina não tem nada, Peru com uma força bastante razoável, mas com uma geração atrasada em relação à nossa, de MiG-29. E tem a Venezuela, que tem 24 [aeronaves]”, pontua. Porém, Rezende lembra que nenhum desses países são inimigos do Brasil.

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