Governo anuncia que não vai mais diferenciar tratamentos de gripe e de coronavírus

O Ministério da Saúde anunciou que, desta quinta-feira (19) em diante, todas as pessoas que moram em áreas de transmissão comunitária da covid-19 –quando não mais se sabe a origem da transmissão – e têm sintomas de uma gripe comum serão tratadas como se estivessem com o novo coronavírus.

Isso significa que quem apresentar sintomas parecidos com os de um resfriado, como tosse, febre ou dificuldade para respirar, deve ficar isolado em casa por 14 dias e manter distância de pessoas com mais de 60 anos. Atestados médicos para cumprir a determinação serão disponibilizados em unidades básicas de saúde, os postos de saúde.

“Os casos leves vão ser atendidos na unidade, vão ser medicados, algumas pessoas vão receber a prescrição do oseltamivir. É um medicamento usado para influenza [gripe]. Ele não está sendo usado para tratar coronavírus, mas, como nós vamos tratar toda síndrome gripal como se coronavírus fosse ou se pudesse ser influenza, porque não temos o teste para diferenciar”, explicou o secretário de Atenção Primária à Saúde, Erno Harzheim.

Outra mudança na recomendação do Ministério da Saúde é que familiares de pessoas com sintomas que habitem a mesma casa, mesmo que não apresentem nenhum sinal da doença, também terão que ser isolados.

Atestados de quarentena

“A partir de hoje alguém com gripe recebe atestado médico para ficar em casa 14 dias, diz o nome dos seus familiares para o médico, e o médico deve dar atestado para todos os familiares ficarem em casa esses 14 dias também”, afirmou Harzheim.

O secretário ressaltou que todos que sentirem sintomas devem procurar apenas unidades básicas de saúde, e nunca hospitais ou UPAs (Unidade de Pronto-Atendimento), que só servem para atendimentos graves, principalmente de outras doenças.

“As pessoas não devem procurar, se têm sintomas respiratórios, as portas de urgência e emergência nem os hospitais. O local para ser procurado com sintomas gripais são os postos de saúde de todo Brasil.”

Segundo o secretário, os casos com sintomas graves serão devidamente encaminhados para unidades de urgência e emergência ou hospitais. “Quem for identificado como caso grave na unidade de saúde vai ser encaminhado como urgência e emergência ou um hospital. Obviamente, vai ser estabilizado antes. Assim como algumas pessoas com algumas doenças crônicas, descompensadas no juízo clínico da equipe do posto de saúde.”

Testes restritos

O governo disse ainda que, embora tenha ampliado a capacidade de teste para todos os estados do país, estes só serão feitos em casos graves, porque o “diagnóstico não é fundamental” por ainda não existir tratamento específico para a covid-19.

A testagem no maior número de pessoas possíveis é uma recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS). O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, no entanto, descredibilizou a sugestão. “A Organização Mundial da Saúde, na figura do seu diretor, fala: ‘Tem que testar todo mundo’, usando como exemplo países pequenos, como Coreia do Sul, que são produtores do kit e tem uma renda lá em cima. Se disponibilizar a quantidade que precisaria para fazer isso em um país de 200 milhões de habitantes, para testar todo mundo, se colocar isso à disposição para gente fazer todos os testes…”, cobrou.

Diante das mudanças de protocolo, o Ministério da Saúde informou que não vai mais contabilizar os casos suspeitos no país. De agora em diante, apenas os casos confirmados e as mortes serão divulgados.

Até esta quinta-feira, o governo federal contabilizava 621 infectados com o novo coronavírus e seis mortes. As secretarias estaduais, no entanto, contam uma morte a mais – ou seja, no cálculo dos estados são sete mortes no total, até o momento.

 

Brasil de Fato

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