Governadora aciona secretários para acompanhar caso de agressão contra quilombola em Portalegre

Agressor já responde a crime de injúria racial praticado o ano passado.

A governadora Fátima Bezerra, acompanhada do vice-governador Antenor Roberto, esteve reunida, na tarde desta terça-feira (14), com secretários de Estado e solicitou o acompanhamento das apurações do caso de agressão ocorrido no município de Portalegre, no último fim de semana.

Cenas que circulam na internet, desde a última segunda-feira, mostram um homem amarrado pelos pés e braços, sendo ameaçado e agredido. Ainda na segunda, em rede social, Fátima Bezerra lamentou o ocorrido ao afirmar que o governo não pactua com manifestações regadas de violência, intolerância e ódio.

“Estamos acompanhando o caso com responsabilidade e é fundamental reforçar que o Estado não tolera manifestações vestidas de intolerância, ódio e abuso de quaisquer natureza”, disse a governadora Fátima Bezerra.

Segundo a Delegacia Geral de Polícia Civil (Degepol), foi registrada no sábado (11) uma ocorrência de dano na delegacia regional de Pau dos Ferros, quando um homem, identificado como sendo Luciano Simplício, teria praticado crime de dano contra um estabelecimento comercial de Alberan de Freitas Epifânio, após saber que o empresário estaria espalhando na cidade de Portalegre que ele seria um “drogado”.

Fazendo justiça com as próprias mãos, Alberan conseguiu imobilizar Luciano, que faz parte de uma comunidade quilombola da região, amarrando-os com cordas, surrando e pisando no jovem, sob protesto de populares.

A partir da circulação das imagens no início da semana, do empresário agredindo um quilombola, o delegado de Portalegre instaurou inquérito policial para apurar os fatos. “As imagens são chocantes. O empresário que fez a detenção do quilombola utilizou força bruta. A princípio se vê crime de tortura. O crime será rigorosamente apurado pela Polícia Civil. Estamos acompanhando as investigações e iremos adotar providências de acordo com as penas previstas em lei”, afirmou a delegada geral da Polícia Civil, Ana Cláudia Saraiva. Ela disse também que o caso será levado ao judiciário.

À frente da Secretaria de Estado das Mulheres, da Juventude, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos (Semjidh), Júlia Arruda informou que tão logo teve acesso ao caso por meio de contato anônimo realizado à Ouvidoria de Direitos Humanos e, de pronto, confirmada pela Coordenadoria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, a pasta assegurou tomar todas as medidas cabíveis e, paralelamente, acionou a Secretaria Municipal de Assistência de Portalegre com o intuito de realizar o acolhimento psicossocial necessário à vítima e familiares. “Também estamos em contato com a Defensoria e o Ministério Público. Reafirmamos nosso completo repúdio a toda e qualquer violação de direitos, sobretudo quando envolve tamanha violência e contra uma população já tão vulnerabilizada”, explicou.

Também participaram da reunião o secretário de Estado e o adjunto da Segurança Pública e da Defesa Social (Sesed), coronel Francisco Araújo e Osmir Monte, respectivamente; a secretária adjunta do Gabinete Civil (GAC), Socorro Batista; a subsecretária do GAC, Laíssa Costa, e a coordenadora de Igualdade Racial da Semjidh, Giselma Omilê.

Nesta quarta-feira (15) novo caso vem à tona de que o empresário já responde a um processo por injúria racial cometido no ano passado contra uma pessoa negra que estava em seu estabelecimento comercial, quando, dentre outras expressões de cunho racista, teria ordenado à pessoa: “Suma do meu comércio que nem de nêgo [sic] eu gosto.

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