sábado, 31 de janeiro de 2026
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Ex-vice-prefeito de Serra do Mel admite ter guardado R$ 2 milhões em diálogo interceptado pela PF

O ex-vice-prefeito de Serra do Mel, José Moabe Zacarias Soares (PSD), admitiu em diálogo interceptado pela Polícia Federal que chegou a guardar cerca de R$ 2 milhões em um apartamento localizado em Natal, pertencente a Aldo Araújo da Silva, então controlador-geral adjunto do município e sogro de Moabe.
A conversa ocorreu entre Moabe e o empresário Oseas Monthalggan, no contexto de uma articulação para juntar recursos destinados à campanha ao Governo do Estado do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra. Pelo teor do diálogo, os valores mencionados estariam ligados a um esquema em outra cidade, provavelmente Serra do Mel.
Durante a conversa, Oseas afirma que seria necessário acumular dinheiro aos poucos para “ganhar moral com o homem”, referindo-se a Allyson, que, segundo ele, “está disparado” na corrida ao Governo.
Em outro trecho, Moabe relata o risco da operação e menciona a experiência anterior: diz que guardou “quase dois contos” (cerca de R$ 2 milhões) no apartamento de Aldo, afirmando ter ficado extremamente apreensivo com a situação. Ele ainda comenta que pessoas que movimentam valores elevados, na casa dos “vinte ou trinta milhões”, costumam manter dinheiro guardado e não repassar a terceiros.
A conversa também aborda o cenário político futuro, especulando sobre o que ocorreria caso o vice-prefeito Marcos Medeiros (PSD) assumisse a Prefeitura de Mossoró com a saída de Allyson para disputar o Governo do Estado. Segundo os interlocutores, Marcos “não teria moral 100%” para comandar a gestão.
Moabe e Oseas são sócios da empresa Dismed e protagonizam um dos diálogos mais conhecidos da Operação Mederi, o da chamada “Matemática de Mossoró”, no qual discutem o pagamento de propina ao prefeito no percentual de 15% sobre uma ordem de pagamento de R$ 400 mil.
De acordo com apuração divulgada pelo Blog do Barreto, a Dismed ampliou em 375% o volume de recursos recebidos da Prefeitura de Mossoró entre 2022 e 2025, somando aproximadamente R$ 14,8 milhões no período de três anos.
Foi com Oseas que a Polícia Federal encontrou uma quantia em dinheiro dentro de uma caixa de isopor, estimada inicialmente em cerca de R$ 250 mil — embora a defesa sustente que o valor seria de R$ 52 mil.
Oseas Monthalggan e José Moabe Zacarias Soares estão entre os investigados que passaram a cumprir medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.

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