Ex-vereador e músico mossoroense Regy Campelo será homenageado pelo Projeto Câmara Cultural

O Projeto Câmara Cultural homenageará no próximo dia 30, às 20 horas, no Memorial da Resistência, o cantor, compositor e ex-vereador mossoroense Regy Campelo, falecido no último dia 16 de setembro.
A quinta edição do projeto, que terá como tema “Viva o Brega” reunirá artistas mossoroenses em torno do gênero musical e contará com a presença da família de Regy, que receberá o troféu Antônio Gonzaga Chimbinho em nome do homenageado.

“A ideia é trazer artistas locais que mantêm o brega vivo em Mossoró”, comentou a coordenadora do Projeto, Nida Lira, que comentou ainda estar tentando viabilizar a presença do cantor mossoroense Bartô Galeno, que imortalizou a música “Saudade de Rosa”, uma das principais composições de Regy Campelo.

Bartô não canta em Mossoró há mais de um ano e recentemente passou por alguns problemas de saúde, mas está retornando aos palcos, segundo Nida, o cantor ficou muito emocionado em ser parte da homenagem do parceiro musical.

O jornalista Regy Carte, filho do homenageado, considera que a iniciativa valoriza a música romântica e fortalece a ligação do público mossoroense com o gênero. “A música romântica, ou brega, como queiram, tem muita aceitação em Mossoró, e o evento prestigia tanto os artistas quanto os amantes da música”, comenta.

Nesse sentido, conforme Regy Carte, a homenagem torna mais vívida a obra musical do pai dele, pois mostrará canções mais conhecidas, como Saudade de Rosa, imortalizada na voz de Bartô Galeno, e outras músicas. “Há mais canções gravadas por Bartô e outros artistas, mas a maioria não sabe que são de Regy Campelo”, diz.

Ele acrescenta que a família se sente lisonjeada pela homenagem da Câmara, onde Regy Campelo exerceu mandato de vereador de 1983 a 1988. “O Legislativo fez uma belíssima homenagem no velório, e volta a homenageá-lo agora. Só temos a agradecer ao presidente Jório Nogueira, demais vereadores e servidores da Casa”, conclui.

Trajetória de vida leva nome de Regy Campelo à posteridade no cenário cultural e político de Mossoró

Regy Campelo foi um homem multifacetado e marcou época em Mossoró como comunicador, político, artista. Foi pioneiro na publicidade volante na cidade, sendo o primeiro a eletrificar carro de som, com gerador.

No rádio, destacou-se em meados dos anos 1970 como repórter esportivo e apresentador, na Rádio Difusora, participando de grandes coberturas esportivas de tempos áureos do futebol mossoroense e nacional.

“Lembro de cobrir a despedida do Brasil para a Copa da Alemanha, em 1974. Havia cerca de 150 mil pessoas no estádio, a população de Mossoró na época”, costumava contar.

No campo musical, é autor de músicas românticas de sucesso, como Saudade de Rosa. “Essa música fez 42 anos dia 23 de fevereiro de 2015. Apareceu uma rosa na minha vida. Fiz a canção depois de uma virada de carro, no bairro Doze Anos. Cheguei à noite em casa, com aquela música na cabeça. Sentamos eu e minha irmã Risalva. Pedi a ela para copiar. Peguei o violão e comecei a brincar com ele. Porque eu nunca me afastei de um violão. E, numa pincelada só saiu Saudade de Rosa, letra e música”, contou em entrevista ao O Mossoroense, publicada no último dia 6 de setembro.

Na mesma entrevista, lembrou de outro fato que o tornou conhecido em Mossoró, as famosas carteiras de motorista de Regy Campelo. “Não, não era qualquer pessoa que tirava (a carteira). Conseguia quem era dotado, que dirigia bem. Podia até ler pouco, mas tinha que saber ler e ter a prática do volante. Quantas pessoas eu tirei da agricultura, que dirigia o carro do pai, que não podia vir à cidade”, contou.

Ele revelou que não se sente incomodado com o folclore em torno das “carteiras de Regy Campelo”, numa alusão a não saber dirigir bem. “Não. Em absoluto. Eu tiro de letra, porque me sinto lisonjeado até, porque não caí no esquecimento, como muitos caíram. Muitos vereadores que passaram pela Câmara Municipal ficaram esquecidos, enquanto que, até hoje, continuo vivo no imaginário popular e lembrado na geografia humana da minha terra”, orgulhou-se.