Eter-na-mente Belchior

O título é proposital e, para quem não entende, é porque nunca ouviu um “bolachão” de Belchior, recheado de poesia concretista, onde você pode misturar a “linda mente brasileira”, com quem “mente lindamente”.

O certo é que hoje acordamos, eu e Josué Damasceno, presidente da POEMA – Poetas e Prosadores de Mossoró sob os auspícios dos seguintes versos: “hoje é sexta-feira/dia de estourar salário/Dar chute em rapariga/E fumar cigarro ao contrário”, aliás, se você quer ouvir o que não presta, Tibau, no Rio Grande do Norte, é o lugar certo para isto neste começo de ano.

Mas, para que eu não seja crucificado por alguma figura esquisita com mais músculos e menos cérebro, devo dizer que em Tibau, algumas “ilhas” ainda reservam parcos, mas bons momentos de inteligência. Tenho certeza de que, em algum lugar nesta ex-vila, tão desrespeitada por nós, de todos os cantos, ecoam bons sons, sons bons.

Na primeira vista deste “001” me chegam notícias sobre um livro sobre o autoexílio de Belchior. Outro? Que verdades nos trará de “terras civilizadas” entre tantas dúvidas? Os autores são de boa cepa. Tenho esperança de que tenhamos informações reais, porque já peguei muita gente na mentira.

Agora, todo mundo era “amigo” de Belchior e acho que nem o próprio bigodudo de Sobral esperava ser tema de tantas obras literárias, minha, inclusive, porque “eu também sou um rapaz latino-americano que sabe se lamentar”.

Em tudo que já foi publicado sobre o bardo sobralense, nada até aqui é melhor do que a biografia “Apenas um Rapaz Latino-Americano”, escrita por Jotabê Medeiros. Algumas outras são sofríveis, puro desperdício de papel. Aguardemos pois, a nova obra.