Estudantes são agredidos por policiais durante protesto

Estudantes e trabalhadores que protestavam contra aumento de 50% na tarifa do transporte público foram agredidos pela Polícia Militar (PM) ontem. Após manifestação em frente à Prefeitura Municipal de Mossoró (PMM), os manifestantes seguiram para o terminal de ônibus próximo ao Shopping Boullevard e próximo à subida da ponte Jerônimo Rosado, que dá acesso ao Alto de São Manoel, onde foram atingidos por jatos de spray de pimenta disparados pelos PMs.

“Os policiais não chegaram dispostos ao diálogo. Logo de cara, retiraram a bandeira do nosso movimento que estava pregada no ônibus e agrediram um rapaz. Quando questionamos a agressão, os PMs jogaram jatos de spray de pimenta contra nós. Muitas pessoas se machucaram, ficaram com olhos ardendo e bolhas pelo corpo”, disse a presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern), Lidiane Samara.

A presidente afirma que os manifestantes agredidos contam com apoio jurídico do Recurso de Direitos Humanos (RDH) da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa) e da Uern para analisar quais medidas podem ser tomadas para investigar e pedir punição pela conduta policial.

Nas redes sociais, vídeos do momento em que os PMs disparam o spray de pimenta contra os manifestantes e mostrando passageiros dentro dos ônibus sufocados com o gás geraram repercussão. Internautas compartilham imagens com mensagens de protesto contra a ação policial.

“Triste ver uma cena de racismo, intolerância e violência no dia em que se deveria comemorar a consciência negra, mas o pior é saber que isso acontece todos os dias, com negros, pobres, mulheres, estudantes”, escreve uma internauta.

Os PMs envolvidos fazem parte da Força Tática do 2º Batalhão de Polícia Militar (BPM) do Estado. A equipe de reportagem do jornal O Mossoroense tentou contato telefônico com o tenente-coronel Humberto Pimenta, do 2º Batalhão, mas ele não foi localizado.

Questionado sobre a ação policial registrada em vídeo por um dos passageiros do ônibus, o comandante do 12º BPM, tenente-coronel Fagundes, informou que a área onde ocorreu o protesto é de responsabilidade do 2º BPM. Em relação às imagens do momento em que o spray de pimenta é atirado contra os manifestantes, o comandante afirma que a ação dos PMs foi correta.

“Pelo que observei os policiais fizeram valer o direito de ir e vir dos passageiros, os quais estavam sendo impedidos pelos manifestantes. Usaram os meios necessários e não letais para dispersar a turma. O vídeo é importante também para identificar uma garota de blusa vermelha e mangas brancas, que arremessou um pandeiro contra os policiais”, declara o comandante.

Prefeitura se mantém silente, enquanto manifestantes sofrem agressão

Mesmo diante da repercussão do protesto realizado ontem, a PMM não se pronunciou em relação às reivindicações dos manifestantes e nem sobre o uso de spray de pimenta contra o grupo, que atingiu também passageiros dos ônibus.

Contrariando os pedidos de manutenção do preço da tarifa, o aumento na tarifa dos ônibus de R$ 2 para R$ 3 foi autorizado pela administração municipal mediante o Decreto 4.575/2015, publicado no Jornal Oficial de Mossoró (JOM) ontem.

“A chefe de gabinete da Prefeitura recebeu alguns membros do protesto, mas foi embora após apresentarmos nossos dois pontos de reivindicação, que são a manutenção da tarifa e aumento na quantidade de ônibus”, disse Lidiane Samara.

O vice-prefeito Luiz Carlos lançou ontem nota de repúdio ao que intitulou como “truculência policial contra os estudantes”. Na nota, Luiz Carlos critica a falta de diálogo do prefeito Francisco José Júnior com os estudantes universitários. Veja a nota na íntegra:

“Na manhã de hoje, durante a manifestação pacífica dos estudantes […], a Polícia Militar em conjunto com a Guarda Municipal, abusou de seu poder e agrediu diversos estudantes, verbal e fisicamente, através de gás de pimenta e tentativa de prisão. Condeno as agressões e os atos dos mesmos para com os estudantes. Fui professor por muitos anos e nessa luta estarei sempre ao lado dos alunos.”, afirma em nota.