Estudantes acampam na PMM contra aumento da tarifa de ônibus

Após manifestações nas ruas do centro da cidade, estudantes montaram acampamento na sede da Prefeitura Municipal de Mossoró (PMM) em protesto contra o aumento de 50% na tarifa do transporte público no município. Os manifestantes afirmam que só desocuparão o Palácio da Resistência quando o aumento da passagem for revogado e se iniciarem as discussões sobre um percentual mais baixo para o reajuste da tarifa.

“Não há lógica em aumentar a tarifa a esse nível e ainda sem melhorar a qualidade do serviço. A Prefeitura tem divulgado que o Movimento Pau de Arara (MPA) concordou com o aumento, o que não é verdade. Nada foi assinado, a única coisa que fizeram foi nos apresentar uma planilha do empresariado com um preço absurdo para a tarifa”, disse o estudante e integrante do MPA, Max Medeiros.

O diretor de comunicação da PMM, José de Paiva Rebouças, afirma que o Executivo espera a formação de uma comissão de representantes do grupo acampado na Prefeitura para que sejam iniciadas as negociações.

“Para que possamos manter um diálogo institucional, esperamos a formação de uma comissão de representantes do movimento, mas eles afirmam que não querem o diálogo. Esse debate sobre o aumento na tarifa vem se realizando há seis meses, foram realizadas diversas reuniões com representantes dos estudantes e movimentos sociais, ninguém foi pego de surpresa”, afirma.

As barracas do acampamento começaram a ser montadas ainda pela manhã, os manifestantes ocuparam o gramado lateral e em frente à PMM. Os estudantes gritavam palavras de ordem e realizaram batucada. Embora os portões tenham sido mantidos abertos, o grupo não teve acesso à parte interior do Palácio da Resistência, nem aos banheiros ou ao bebedouro.

Participam do acampamento estudantes da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern), Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN), Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), além de integrantes de diversos movimentos sociais. Também estavam presentes na PMM guarnições da Ronda Ostensiva Municipal (Romu) e da Polícia Militar (PM), mas o dia acabou sem tensões entre manifestantes e forças policiais.

Na sexta-feira passada, 20, durante protesto contra o aumento na tarifa, PMs usaram spray de pimenta contra estudantes. A ação levou a Uern, a Ufersa e o IFRN a lançarem nota conjunta de repúdio à ação policial. De acordo com a presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Uern, Lidiane Samara, o reitor da Universidade deve solicitar uma audiência entre os estudantes, representantes das três instituições de ensino e da PM junto à Promotoria de Direitos Humanos para discutir o ataque aos estudantes.

Estudo da Semob estima que tarifa em Mossoró deveria ser de R$ 6,25

Segundo estudo realizado pela Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob), com base em dados apresentados pela empresa Ocimar Transportes, o sistema de transporte público mossoroense tem operado com prejuízo mensal de R$ 227.990,56. Para equilibrar o sistema, seria preciso aplicar tarifa de R$ 6,25, o que representa um aumento de 212,5% em relação à antiga taxa de R$ 2.

“Ficou claro que o sistema atual está em desequilíbrio em função do custo mensal para operacionalizar o serviço devido principalmente a pouca demanda de transporte público de passageiros por ônibus que representa uma média de 7.300 passageiros (por dia)”, apresenta a Semob no estudo.

Segundo o diretor da Semob, Ramon Moura, o reajuste da tarifa é necessário para a permanência do sistema de transporte público na cidade. Ele declara que, com o reajuste, será possível implantar melhorias como o sistema de bilhetagem eletrônica e a integração entre as linhas, o que deve aumentar a demanda, contribuindo para o equilíbrio do serviço.