Bruna Takahashi (Brasil) durante partida das oitavas de final do individual feminino do tênis de mesa nos Jogos Pan-Americanos Lima 2019. Data: 05.08.2019. Crédito obrigatório: Abelardo Mendes Jr/ rededoesporte.gov.br

Esporte brasileiro reage com apoio e alívio a adiamento dos Jogos

Atletas, técnicos e confederações comemoram mudança para 2021

Por Lincoln Chaves – Repórter da TV Brasil e da Rádio Nacional – São Paulo

Atletas e técnicos brasileiros receberam com apoio e alívio o adiamento dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio (Japão) para 2021, em meio à pandemia do novo coronavírus (covid-19). A decisão foi tomada nesta terça (24) pelos Comitês Olímpico Internacional (COI) e Organizador dos eventos, após videoconferência entre o presidente do COI, Thomas Bach, e o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe. A Agência Brasil recebeu e compilou depoimentos de esportistas de diversas modalidades olímpicas e paralímpicas sobre a decisão.

Hugo Hoyama, técnico da seleção feminina de tênis de mesa

“Primeiro, temos de pensar na saúde de todos. Não só atletas, mas dirigentes e torcedores que irão a Tóquio assistir. Então, acho que foi uma decisão sensata. Lógico que não foi fácil, mas era, realmente, a decisão a ser tomada. Agora é esperar passar a fase da pandemia, para que todos voltem a ter suas vidas normais e os atletas tornem a se preparar”.

Bruna Takahashi: “Ano que vem, estaremos mais fortes”  – Abelardo Mendes Jr/ rededoesporte.gov.br

“Acho que foi uma boa decisão dos comitês, porque muitas modalidades ainda não conseguiram disputar seus pré-olímpicos ou os atletas não conseguiram sair de seus países. Então, foi uma boa decisão para todos terem suas chances. E lógico, para cuidarmos da saúde. Ano que vem, estaremos mais fortes”.

Arthur Zanetti, campeão olímpico da ginástica em 2012

Treinamento da seleção masculina de ginástica artística
Arthur Zanetti: “Temos pontos positivos e negativos” – Fernando Frazão/Agência Brasil

“Temos pontos positivos e negativos. O negativo é que estávamos preparados para competir em julho, tanto física como psicologicamente, e, a partir do momento que tivemos que ficar em casa, isso atrapalhou os treinos e afetou não só a mim, mas atletas do mundo todo. Os positivos: alguns atletas, que ainda não estavam classificados, terão um tempo a mais [para buscar a vaga], pois suas competições tinham sido canceladas. E, também, poderemos voltar aos treinos e à forma física ideal para competir nos Jogos”.

Flávia Saraiva, ginasta da seleção e medalhista pan-americana

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Flávia Saraiva: “Agora nós, atletas, podemos respirar aliviados” – Fernando Frazão/Agência Brasil

“Agora nós, atletas, podemos respirar aliviados, porque teremos tempo para treinarmos e nos cuidarmos. Queria pedir, também, pra vocês continuarem se cuidando. Não saiam de casa, lavem bem as mãos, passem álcool gel. Cuidem de você e do próximo. E continuem fazendo exercícios em casa”.

Darlan Romani, campeão pan-americano e Mundial Militar no arremesso de peso

“Acho que foi uma boa decisão [o adiamento], afinal, são as nossas vidas em risco, dos nossos familiares também. A Olimpíada tem como um dos significados unir todas as nações. É o significado dos cinco aros olímpicos. Precisamos treinar, precisamos dar o melhor na competição. Seria injusto com países em que as pessoas estão completamente proibidas de sair de casa. Eu tenho a possibilidade de treinar em casa, tenho material. Mas há pessoas que moram em apartamento e não tem [a mesma condição]. Isso não é justo no cenário do esporte como imaginamos. Agora, vamos batalhar, rever os planos para 2021. O sonho continua”.

Felipe Kitadai, judoca medalhista de bronze em 2012

“Hoje, acordamos com uma grande vitória. Uma grande vitória para a humanidade, uma vitória sobre o coronavírus, que vamos combater. Nada é mais importante que nossa saúde e a do mundo. Vamos brigar juntos, ficar em casa, fazer o que é necessário para combater o vírus e conter as mortes. Vamos superar o sofrimento e vencer mais uma vez. Para 2021, o plano não muda. É ser campeão olímpico, dar meu máximo todos os dias. Agora, é trabalhar em cima dos erros e chegar lá mais forte ainda”.

Mayra Aguiar, judoca medalhista de bronze em 2012 e 2016

“Acredito que tenha sido a melhor decisão para o momento. Agora a luta realmente é outra. Temos que priorizar a saúde, ficar em casa, cuidar dos mais próximos. Vamos combater esse vírus o mais rápido possível e, no ano que vem, a gente curte e comemora a Olimpíada”.

Sarah Menezes, judoca campeã olímpica em 2012

“Pra mim, [o adiamento] foi de extrema importância, porque vou ter ainda mais tempo pra ganhar força, ganhar massa após a minha lesão [ruptura total dos ligamentos do músculo peitoral esquerdo, em julho do ano passado] e me preparar melhor. Agora, é esperar a volta do calendário e que as coisas voltem a funcionar diante da pandemia. E continuar focada”.

Rafael Silva “Baby”, judoca medalhista de bronze em 2012 e 2016

“Eu e vários atletas estávamos apreensivos, ainda bem que aconteceu [a mudança de data]. O comitê organizador e o COI entenderam que a pressão dos países pelo adiamento era válida. O mundo vive uma situação complicada. Muitos países não conseguiriam enviar suas delegações aos Jogos esse ano. Foi a decisão mais acertada. Estamos treinando da melhor maneira possível. Em casa, de maneira adaptada, usando o peso do corpo, no meu caso até a escadaria do prédio. Com certeza, esse um ano [até os Jogos] vai funcionar para que a gente se prepare da melhor maneira possível. O momento é de união, todos em casa, para que o vírus não se propague mais ainda e a gente consiga voltar à vida normal e treinar, que, acho, é o que nós, atletas, mais gostamos”.

David Moura, judoca vice-campeão mundial em 2017

“Todo atleta deve estar se sentindo mais tranquilo agora, porque estamos enfrentando uma batalha contra o coronavírus e é muito difícil focar num evento tão grande como a Olimpíada diante de um problema tão sério. Então, estou feliz. Teremos tempo pela frente, dará para reprogramar tudo. Se Deus quiser, no ano que vem estará tudo resolvido, todo mundo curado e poderemos curtir a Olimpíada como ela deve ser curtida”.

Aline Silva, atleta do wrestling classificada para Tóquio

“Ainda não sei o que estou sentindo sobre o adiamento. Acho que foi prudente. É difícil para a gente agora se planejar porque ainda não tem uma data certa [para Tóquio 2021]. Não sei também quando exatamente poderemos voltar à vida normal. Para esses momentos, uso o que aprendi com o esporte. O que tem para hoje? É trabalhar de casa? Então é o que farei. Sou ansiosa, ficar em casa é um desafio, imagino que para todos seja também. É hora de resiliência, de se reinventar. Espero que todos achem como lidar com isso”.

Pepê Gonçalves, campeão pan-americano da canoagem slalom

“O momento, agora, é de salvar o planeta, salvar nossos irmãos. De nos preocuparmos com nossos entes queridos, olharmos pelos profissionais de saúde, que têm colocado suas vidas em risco. Esses, sim, são heróis, que merecem uma medalha olímpica no pescoço. Querendo ou não, temos mais um ano e pouco, ainda não sabemos direito, para treinar e se dedicar, chegando ainda melhor e mais bem preparado [em Tóquio]”.

Erica Sena, bronze na Copa do Mundo de marcha atlética em 2016

“Atualmente, estou no Equador [na cidade de Cuenca]. Temos uma quarentena obrigatória. Podemos sair três vezes por semana, mas só para comprar alimentos e medicamentos. São momentos difíceis. Como atleta fico triste, porque são anos de treinamento para essa competição, que é tão importante, a mais importante, a mais esperada. Mas, como ser humano, acredito que foi a melhor decisão a tomada pelo COI”.

Luísa Borges, da seleção olímpica de nado artístico

“Foi a melhor decisão a ser feita nesse momento, por conta da paralisação dos nossos treinamentos, de proteger a saúde e nós atletas conseguirmos dar 100% nos Jogos Olímpicos. Sigo fazendo meu treinamento em casa, tentando manter meu físico ativo e minha mente também focada em Tóquio 2021. Espero que isso tudo passe o quanto antes e possamos voltar à nossa rotina, fortes e focados em Tóquio”.

Vinícius Figueira, carateca garantido em Tóquio

“Concordo com o adiamento dos Jogos. Claro que a gente queria que houvesse [Olimpíada] na data, porque nos preparamos há anos para esse momento, mas, com essas condições, com academias fechadas, atletas sem se preparar e o medo da população [com o novo coronavírus], acho que foi uma decisão assertiva do COI e do governo japonês”.

Milena Titoneli, campeã pan-americana do taekwondo

“Foi a decisão mais sensata. No momento, temos que nos preocupar com a saúde no mundo inteiro, em passar por esse momento difícil. Estamos em condições de treinamento que não são tão favoráveis. Estamos tendo que treinar em casa e não é mesma coisa do que ter a rotina de treino fora. E peço a vocês que se cuidem, não saiam de casa, juntos conseguiremos superar essa batalha. Nos vemos em Tóquio 2021”.

Alison Cerutti, campeão olímpico do vôlei de praia em 2016

“Foi a decisão mais sensata a ser tomada pelo que o mundo vem passando, nosso país também. Faltavam quatro meses para a data original, já não estava conseguindo treinar mais, muito preocupado com o que estava acontecendo, medo de pegar o vírus e, além disso tudo, temos amigo e família pra tomar conta. Somos seres humanos antes de qualquer coisa. Estaremos ainda mais preparados para o próximo ano. Vamos nos cuidar, para não aumentar, ainda mais, a situação”.

Camila Brait, líbero da seleção feminina de vôlei

“Foi a melhor decisão a ser tomada nesse momento crítico que estamos vivendo. O momento é de ficar em casa, para o vírus não se propagar, e todo mundo ficar bem o mais rápido possível. Nós, atletas, estamos prejudicados por termos de ficar em casa e não conseguirmos treinar, então, em 2021, os atletas vão conseguir se preparar melhor para a Olimpíada e dar o máximo”.

Bia Bulcão, medalhista pan-americana da esgrima

Bia Bulcão: “Foi a melhor decisão” – Washington Alves/COB

“Claro que, para um atleta que se prepara quatro anos para uma competição tão grande como essa, não é fácil. Mas, devido às circunstâncias, foi a melhor decisão. É o momento de focar, de não sair de casa, de seguir as orientações dos especialistas para que tudo normalize o mais rápido possível. Sigo treinando em casa, tenho competições que valem vaga para Tóquio, então, vamos para mais um ano de trabalho”.

Alex Pires, maratonista paralímpico garantido em Tóquio

“É uma notícia que vem em um momento muito difícil que estamos vivendo. Como atleta, fico triste pelos Jogos serem adiados, mas foi uma decisão acertada, que visa preservar a vida dos atletas e das pessoas. Isso me deixa feliz porque, antes de qualquer coisa, mesmo do esporte, está a vida. Então, que venha Tóquio 2021”.

Verônica Hipólito, velocista e medalhista paralímpica

“Era uma resposta aguardada ansiosamente. A primeira grande pergunta foi respondida. Como serão os qualificatórios? Como ficarão as classificações [que, no paralímpico, são as revalidações para os atletas continuarem competindo]? O que acontecerá com as competições canceladas nesse primeiro semestre? São muitas perguntas, mas a primeira delas foi respondida, que era o adiamento. Não tinha como procederem com os Jogos. Os atletas não tinham como continuar a preparação colocando em risco a saúde, nossa e a pública, e a qualidade dos Jogos. Acredito que foi a melhor decisão”.

Phelipe Rodrigues, nadador e medalhista paralímpico

“Era a única solução a ser adotada pelos Comitês. É triste? É, mas é uma realidade que temos de enfrentar. Os Jogos acumulam e aglomeram milhões de pessoas em um só lugar. Então, por segurança não só dos atletas, mas da população mundial, isso [adiamento] foi decidido. Vamos sentar com a equipe técnica, ver quais as melhores opções. Provavelmente, vamos tirar férias agora e, assim que a pandemia der uma baixada, voltar a treinar focando 120, 200, 300% em Tóquio, agora 2021”.

Leomon Moreno, jogador da seleção masculina de goalball

“Foi uma notícia de alívio para todos nós, atletas. Agora, com os Jogos sendo realizados em 2021, ficamos totalmente à vontade para conseguir nos prepararmos melhor e participar”.

Alessandro Tosim, técnico da seleção masculina de goalball

“O posicionamento foi assertivo. A ausência do treino em quadra e físico para os atletas paralímpicos faz com que eles tenham perdas muito grandes. A prorrogação dos Jogos faz com que nós, que estaremos brigando por medalhas, estejamos muito mais preparados para os eventos”.

Jaime Bragança, técnico da seleção paralímpica de judô

“Foi uma grande notícia nesse momento de pandemia. Os atletas não estão tendo condições para treinar, então, foi a melhor decisão essa do comitê organizador. Temos que cuidar das pessoas, fazer com que as coisas voltem ao normal e que os atletas retornem aos treinos, para termos grandes Jogos no ano que vem”.

Luan, goleiro da seleção brasileira de futebol de 5

“Foi a decisão mais sensata, pela preservação da saúde de todos. Os Jogos são eventos gigantescos, envolvem muita coisa. Sobre os treinos, diminuímos bastante o ritmo, sem podermos sair de casa com essa quarentena. Então, não chegaríamos 100% da forma que queríamos [se a data fosse mantida]”.

Confederações

Entidades olímpicas e paralímpicas e seus dirigentes também se manifestaram. A Confederação Brasileira de Ginástica, por exemplo, divulgou um vídeo gravado no Centro Nacional de Treinamento de Ginástica Rítmica, em Aracaju, com a mensagem #Tokyo2021 escrita no solo com os instrumentos utilizados pelas atletas nas apresentações. Outras federações se pronunciaram por meio de comunicados e notas oficiais.

Eduardo Musa, presidente da Confederação Brasileira de Skate (CBSk)

“Os Jogos são, em essência, uma comunhão entre povos. Nesse momento, o foco maior das nações pelo mundo deve ser no sentido de contermos essa pandemia. Quando tudo isso passar, a Olimpíada, com a tão aguardada estreia do skate, será um marco de alegria e comunhão mundial”.

Joao Tomasini Schwertner, presidente da Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa)

“Entendemos que essa medida é necessária em virtude dos reflexos que os atletas têm enfrentado nas dificuldades de manter o nosso melhor nível de rendimento competitivo por causa da necessidade de paralisação de treinos e competições importantes, tanto no Brasil quanto no mundo. Até lá [2021], teremos uma situação favorável e controlada, onde a prioridade principal é a saúde e o bem-estar dos atletas, para que a prática do olimpismo seja feita da melhor forma”.

Silvio Acácio Borges, presidente da Confederação Brasileira de Judô (CBJ)

“Acho que os últimos movimentos desde que o COB [Comitê Olímpico Brasileiro] se manifestou levavam a esse cenário. É uma decisão sensata que veio ao encontro de uma expectativa de todos. Do ponto de vista das instituições, como o COI, comitê organizador, comitês olímpicos, federações internacionais e confederações vai impactar e vai exigir um novo contexto administrativo. Para o atleta, sobretudo, foi uma grande decisão. No geral, vejo de forma muito positiva esse adiamento”.

Carta aberta da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA)

“Sabemos como o esporte [especialmente o aquático] é importante na vida de todos nós. Mas, tem uma coisa mais importante, a saúde. É hora de cuidarmos dela e lutarmos contra a propagação do vírus que assola a humanidade. Tendo em vista a não realização dos Jogos Olímpicos de Tóquio na data prevista, nossa seletiva olímpica de junho não tem mais razão de ser. Portanto, está cancelada. Será marcada uma nova data […] quando tivermos a programação oficial das provas olímpicas, em conjunto com o nosso Conselho Técnico de Natação de Alto Rendimento. Adicionalmente, informamos que CBDA trabalha para encontrar uma data para fazer o Troféu Brasil ainda em 2020, mais para o final do ano, para que os atletas e clubes tenham uma competição em raia longa para se focar. Por hora, fiquem em casa e cuidem-se. Juntos somos mais fortes”.

José Antônio Ferreira, presidente da Confederação Brasileira de Desportos de Deficientes Visuais (CBDV)

“Um novo cenário surgiu nos últimos meses e vem mobilizando nosso planeta. Nossa preocupação maior, desde o início da crise, tem sido com a saúde de atletas, treinadores e demais envolvidos no movimento. […] Do ponto de vista esportivo, acreditamos que seria inviável a realização de uma competição em seu mais alto nível técnico, sendo que atletas do mundo todo não podem sequer manter suas rotinas de treinos. Mas, a questão principal é de caráter humanitário. Como imaginar que até o dia 24 de julho, data inicialmente prevista para o início dos Jogos, o planeta teria voltado ao normal a ponto de celebrar a reunião de alguns dos maiores nomes do esporte olímpico e paralímpico em torno da chama de Tóquio? A CBDV permanecerá atenta aos desdobramentos da crise para seguir defendendo e orientando nossa comunidade. Não podemos baixar a guarda nem desanimar. Primeiro, vamos vencer o vírus. Depois, retomar o planejamento para Tóquio com ainda mais vontade”.

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