Em Mossoró, oposição cabe num fusquinha

Para os aliados da presidente Dilma Rousseff falar em impeachment é defender o golpe. Dizem ainda que a oposição quer forçar um terceiro turno. Esquecem que lutaram pelo impeachment de Collor e tentaram vários outros contra Fernando Henrique. Dependendo do lado em que se encontram é que se pode identificar a interpretação dos fatos políticos do momento. Seria melhor apresentar argumentos convincentes de defesa que resumir tudo em uma declaração que nada explica. A presidente Dilma vive dias difíceis por conta de uma conjuntura que seu governo não conseguiu superar, mas responsabiliza a crise internacional por parte dos problemas administrativos. Desde seu primeiro mandato fez questão de deixar claro que não tinha paciência para o jogo político, deixando sempre para Lula a conversa direta com os parlamentares.

Em nível estadual, o governador Robinson Faria ainda não conseguiu encontrar o caminho seguro para o Rio Grande do Norte. Durante a campanha política repetia constantemente que havia se preparado para governar o Estado conhecendo seus problemas em profundidade e a solução para superar a crise vivida pelo governo anterior. Não demorou para que reconhecesse que as dificuldades eram maiores do que imaginava encontrar. Graças a uma lei estadual aprovada nos momentos finais do governo Rosalba Ciarlini, vem conseguindo pagar em dia o funcionalismo. Entretanto, está usando recursos da Previdência Social, onde cerca de R$ 1 bilhão será comprometido até o final do ano. Até o momento não se conhece o mecanismo pelo qual o Estado restituirá esse volume de recursos, pois não se conhece qualquer medida para sanar esse débito,

Quando o PMDB foi criado dizia-se que, do Rio Grande do Norte, ele cabia dentro de um fusquinha, carro popular da Wolkswagen. Na Câmara Municipal de Mossoró, com apenas 5 vereadores, a oposição poderia ser toda acomodada em um pequeno veículo. Apesar da grande desvantagem, pois o prefeito recebe o apoio de 16 edis, a primeira reclamação que os aliados municipais alegam é que ele tem de enfrentar uma oposição raivosa. O rolo compressor representado pelo apoio fechado de 16 apoiadores incondicionais não dá para convencer que os outros 5 do fusquinha consigam atrapalhar a administração. Nos veículos de comunicação a proporção não é diferente. Os profissionais da imprensa que utilizam as redes sociais, em sua grande maioria, atendem ao prefeito de Mossoró, como também as emissoras de rádio e outros veículos de comunicação.

Faltando menos de 10 meses para a eleição municipal a cidade se prepara para discutir os seus candidatos. O processo esteve em “banho-maria” enquanto o TSE decidia sobre o futuro eleitoral da ex-governadora Rosalba Ciarlini, que recentemente recuperou sua condição de elegibilidade. Vários grupos encomendaram suas pesquisas e, além de Rosalba e Francisco José que deseja concorrer à reeleição, despontam os nomes da ex-deputada Larissa Rosado, ex-prefeita Fafá Rosado, vice-prefeito Luiz Carlos, entre outros. Um movimento capitaneado pelos empresários locais constitui-se na novidade política da cidade. Quem sempre preferiu ficar à margem da disputa admite poder concorrer à Prefeitura de Mossoró, dependendo da evolução dos acontecimentos. Isso mesmo, em política tudo é possível. Além disso, a eleição local tem importância para a disputa estadual de 2018.