Efeitos da sucessão municipal

Era de se esperar que a decisão sobre a inelegibilidade da ex-prefeita Cláudia Regina precipitasse o início da sucessão mossoroense. De saída, a certeza que Francisco José permanecerá à frente da prefeitura até o final do mandato e tentará viabilizar sua candidatura à reeleição. Em segundo lugar, Cláudia permanecerá com seus direitos políticos suspensos até o ano de 2020, quando poderá disputar cargos eletivos se assim o desejar. Continua a incerteza em relação à ex-governadora Rosalba Ciarlini. É possível que, até o final da próxima semana, seu processo seja finalizado, mas não há certeza que isso venha a acontecer. Rosalba poderá ser condenada a pagar uma multa o que, para alguns significa dizer que poderá ter seu nome incluído na Lei da Ficha Limpa. Outros defendem que nada disso ocorrerá, pois ela foi condenada num processo eleitoral em que não era candidato a cargo eletivo. E ainda há quem admita que, pagando a multa, não haverá mais impedimento em termos de possibilidade de disputar a próxima eleição. Os escritórios de advocacia já se debruçam sobre o tema, buscando todo detalhe relacionado à jurisprudência no Tribunal Superior Eleitoral.

Talvez esses fatos tenham estimulado a ex-prefeita Fafá Rosado a voltar ao campo da disputa política. Depois de resultado local pouco encorajador na disputa por uma cadeira de deputado federal, teve um movimento oscilatório entre uma aliança política com Rosalba, de quem se dizia seguidora, com o PMDB do ministro Henrique Alves. A decisão foi rápida e, de imediato, deixou o mutismo em que se encontrava para declarar que uma possível candidatura sua na sucessão municipal independia de Rosalba. E provocou a ex-governadora dizendo que reconhecia sua força política em Mossoró, mas não tinha medo de enfrentá-la mais uma vez. Sabendo do desgaste atual do prefeito Francisco José, que dificilmente conseguirá recuperar a popularidade, Fafá criticou os vereadores do seu partido por divergirem da direção estadual do diretório municipal, optando pela acomodação na bancada situacionista. Mais dificuldades para Garibaldi e Henrique que há tempos tentam inaugurar a sede do diretório local do PMDB, solenidade constantemente adiada.

Entretanto, a política mossoroense não se resume apenas a esses fatos. O Partido dos Trabalhadores, por exemplo, participa da administração municipal com o vice-prefeito, secretários e assessores de governo. Devido à complexidade da legenda, a convivência nem sempre é das mais pacíficas. O vice-prefeito Luiz Carlos cumpre agenda de candidato a prefeito de Mossoró. Para evitar surpresas, o prefeito já está sondando outros grupos do PT para indicar o substituto de Luiz e compor a chapa futura. Para tentar reverter a rejeição a sua administração, o prefeito aprovará na Câmara Municipal um pedido de adiantamento dos royalties do petróleo, algo superior a R$ 35 milhões, que deixará o município mais sacrificado ainda e não será suficiente para saldar as dívidas acumuladas até o presente. O dinheiro virá de bancos particulares, tendo a transferência dos royalties como garantia do empréstimo. A mensagem enviada à Câmara não define o destino do dinheiro adiantado.

O grupo político da ex-deputada Sandra Rosado ainda não adiantou como participará do processo eleitoral em 2016. Sabe-se que tem mantido contatos políticos com outras lideranças, trocando ideias e construindo cuidadosamente esse projeto. Depois, a definição do PMDB se terá candidatura própria ou fará a opção pela coligação com outras legendas. Isso definirá o palanque em que estarão o senador Garibaldi Filho e o ministro Henrique Alves. O governador Robinson Faria, pelo cargo que ocupa, terá influência na escolha do futuro prefeito. Nos primeiros dias de governo era visível o seu entusiasmo em relação a Mossoró, mas por motivos alheios a sua vontade tem preferido ficar afastado da cidade. Essa situação poderá ser modificada, pois Robinson já percebe que sua imagem está sendo puxada para baixo, acumulando desgaste desnecessário, sendo preciso tomar alguma atitude mais positiva. Os partidos menores serão importantes na primeira eleição em que não haverá possibilidade de ajuda de grupos empresariais.