Desembargador nega participação em desvios milionário dos precatórios do TJ

A “Operação Judas”, deflagrada há três anos para investigar esquema de desvio de dinheiro no setor de precatórios do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, teve mais um capítulo exibido ontem, em uma novela interminável, onde o processo judicial continua em andamento. Pela manhã, o desembargador aposentado Rafael Godeiro, um dos investigados no esquema de desvio de verbas, foi ouvido pela justiça, em Natal.

De acordo com as informações, em depoimento ao juiz da 8ª Vara Criminal, Ivonaldo Bezerra, Rafael Godeiro tentou se eximir das acusações e atribuir toda a culpa a Carla Ubarana de Araújo Leal, acusada de ser a mentora do esquema milionário de desvio de verbas. Godeiro afirma que foi ludibriado, pois Carla Ubarana desfrutava de sua total confiança. Ubarana era a secretária-geral do TJRN, quando a fraude foi descoberta pela Polícia Civil.

Para Rafael Godeiro, Ubarana era para ele referência de honestidade e confiança e que todos os desembargadores e funcionários, se espelhavam nela. Consta nos autos processuais que Rafael Godeiro, quando foi presidente do TJ manteve o sistema de desvio de verbas dos precatórios ao ordenar o pagamento a “laranjas” por meio de ofícios.

Nas investigações da polícia constam acusações de que o desembargador Godeiro teria desviado R$ 5,4 milhões durante os dois anos de gestão. Ele negou as acusações.

ENTENDA
Em janeiro de 2012, o Ministério Público Estadual e a Polícia Civil, deflagraram a “Operação Judas”, destinada a investigar esquema milionário de desvio de verbas no setor de precatórios do TJ, onde dois desembargadores, Osvaldo Cruz e Rafael Godeiro, foram citados, no esquema comandado pela secretária Carla Ubarana e seu marido George Leal. Outras três pessoas também foram arroladas no processo, que continua em andamento.