Como se proteger da invasão de ladrões em condomínio

Cenas de uma invasão em condomínios que ocorreram em algumas cidades da região metropolitana de Natal e no interior do Rio Grande do Norte foram presenciadas também em alguns prédios e residências de Mossoró, onde ladrões arrombaram ou tentaram entrar para roubar moradores.

Moradores de um prédio situado em uma área nobre do bairro Nova Betânia flagraram, durante a semana, dois elementos forçando um dos portões do prédio, no entanto quando da aproximação do vigilante, os criminosos saíram correndo, deixando para trás fechaduras e cadeados quebrados.

“Quando me aproximei vi dois sujeitos no portão. Um deles fingia estar tocando no interfone, enquanto que o outro estava escorado em um portão. Perguntei o que eles queriam e ao me aproximar, eles saíram correndo. Um dos cadeados já estava violado e a fechadura quebrada. Se não chego a tempo provavelmente eles teriam feitos moradores de reféns, para assaltar”, explicou o vigilante.

Segundo o chefe de segurança Moisés Andrade, que treina vigilantes para trabalhar em empresas e condomínios, a sensação é de susto constante entre os profissionais da segurança e dos moradores de prédios residenciais. Ele explica que para tentar se proteger, muita gente investe alto em equipamentos de segurança. Mas, no final de semana, um prédio e um condomínio de luxo foram assaltados, mesmo tendo câmeras e guardas particulares.

“Comportamento errado pode colocar a perder todo o investimento em segurança, caso não se use as ferramentas corretas, uma vez, que em muitos casos os ladrões entram nos prédios por intermédio dos moradores e passam a agir, mesmo com todo o monitoramento eletrônico”, ressaltou.

Andrade lembra que podem ser tomadas medidas preventivas por moradores, principalmente quando se vive em residências conjugadas ou isoladas. “Ao chegar em casa, há uma série de procedimentos a se adotar. Além da tecnologia, é importante que haja uma conivência comportamental entre quem executa a segurança de um condomínio e quem se utiliza da parte condominial. Ter uma espécie de código, para que uma mímica facial possa indicar se o acompanhante é bem-vindo ou se o morador é refém”.

A professora universitária de 45 anos passou por maus momentos nas mãos de ladrões, quando chegava em sua casa no Alto Sumaré. Ela conta que por volta das 22h chegava em sua casa e ao abrir o portão eletrônico, foi rendida por dois elementos armados, que entraram no prédio e a conduziram até a sua residência, onde levaram alguns aparelhos eletroeletrônicos.

“No caso da professora, os ladrões sabiam que ela tinha algumas rotinas e horários que já haviam previamente especulado. Nessa circunstância seria inevitável o assalto, uma vez que não havia nenhum código ou sinal entre a moradora e o vigilante”, destacou.

Contar com a colaboração dos vizinhos também é importante para garantir a segurança, principalmente quando a casa fica vazia, durante uma viagem ou quando o proprietário sai para trabalhar. “É importante pedir que eles fiquem de olho em qualquer movimentação estranha e comunicar à vigilância”, concluiu.

Defur investiga aproximadamente 30 assaltos a residências por mês em Mossoró

Dados fornecidos pela Delegacia Especializada em Furtos e Roubos (Defur) apontam que, em média, 30 residências são assaltadas mensalmente em Mossoró. Os roubos são geralmente com reféns, após os ladrões invadirem as casas.

“Geralmente os ladrões invadem as casas, fazem as famílias de reféns e passam a roubar objetos de valores que existem no local. Essa prática acontece, a maioria, em casas que tem portões e muros altos, onde quem passa pela rua não enxerga o que está acontecendo no interior da residência”, explicou o agente Natan, chefe de investigação da Defur.

Para o policial, existem casos de assaltos a residências, que se quer as vítimas denunciam. O medo dos bandidos ainda é muito grande e quando uma família é vítima dos ladrões, procuram não se expor com a imprensa ou a própria polícia.

“Ainda existem casos em que as vítimas têm medo de denunciar que foi roubada. Geralmente para não se expor e ficar marcada pelos assaltantes. É preciso denunciar, para que a polícia tome as providências e coloque na cadeia os criminosos”, destacou.

Para o agente da Defur, o índice de casas assaltadas em Mossoró é muito alto e precisa ser combatido com urgência, para que a população possa ter tranquilidade dentro de sua residência. “Temos um alto índice de residências assaltadas nos bairros de Mossoró. Os casos que chegam à Defur, muitas vezes não andam por falta de testemunhas ou provas, pois as vítimas têm medo de dizerem o que viram”, concluiu.

Pesquisa aponta que ladrões preferem assaltar residências

Muita gente acha que está segura dentro de casa e só se preocupa com segurança ao ir à rua. Porém, isso não é a realidade. A violência está chegando até as casas, condomínios e prédios nas cidades brasileiras.

Pesquisa realizada recentemente por uma empresa particular de segurança, que atende condomínios e prédios de Brasília, constatou que bandidos preferem residências com muros altos e pouca luminosidade. Tal pesquisa ouviu 397 presos e ex-presidiários. Dos ouvidos, 73% disseram que casas com muros altos são mais fáceis de invadir, 75% com pouca luminosidade e 59% afirmam que ladrões preferem regiões mais centralizadas e movimentadas.

Pode-se explicar a preferência dos bandidos por casas de muros altos facilmente: ladrões não querem ser vistos, logo, o muro alto serve de esconderijo para eles. Dessa forma, agir sem chamar a atenção dos vizinhos e policiais fica mais fácil.