Como conduzir um processo da mentoria

*Claudio Brito

A mentoria pode ser vista como um processo de interação complexa, entre mentor e mente, a fim de proporcionar mudanças benéficas aos envolvidos no processo.

Cada mentor adotará um padrão de trabalho de acordo com sua orientação, habilidades e aspectos de sua personalidade, bem como com os objetivos específicos e as características individuais do mentee.

No que diz respeito a utilização de abordagens, o mentor pode se comportar de três maneiras diferentes ao iniciar uma sessão. A primeira é não dizer absolutamente nada, deixando que o seu cliente transmita, de forma imediata, aquilo que passa na sua “mente”.

Esse método pode trazer alguns problemas para o mentor iniciante, caso ele não seja hábil em impor seu silêncio, visto que o mentee pode se aproveitar de tal situação e dominar o processo. Por outro lado, o silêncio pode aumentar ainda mais a insegurança e a ansiedade devido a não correspondência por parte do mentor. A segunda forma de conduzir uma sessão, consiste em colocar as questões em aberto, ou seja, de maneira não diretiva.

Tal postura pode ser a mais assertiva, pois permite trazer à tona suas preocupações mais importantes e então cabe ao Mentor, orientá-los e centrá-los no propósito das sessões.

Em terceiro lugar, encontra-se a perspectiva diretiva, ou seja, colocar nas mãos do mentor a responsabilidade pelo processo. Essa proposta consiste em fazer perguntas mais específicas a respeito das questões reveladas pelo mentee. Pode ser considerada desvantajosa, porque não permite ao mentor trabalhar outras questões que não foram evidenciadas em suas perguntas.

Mesmo com a diversidade das abordagens, é importante que se verifique o afeto e o humor do mentee, caracterizados como uma forma avaliativa de dirigir a sessão.

Outra questão importante, e que merece relevância, consiste em promover uma discussão centralizada nos problemas, que estão intimamente ligados com os objetivos da mentoria. Para esse fim, alguns estudantes podem encontrar certas dificuldades, principalmente com pacientes que tendem a responder as questões utilizando monossílabos. Quando esse fato ocorre, é fundamental que o Mentor seja empático e ofereça apoio.

É necessário que se esclareça ao mentee que a sua participação é relevante para o processo, estimulando-o a compartilhar da necessidade de entabular uma discussão, embora seja difícil para ele. No caso oposto, em que a fala aparece em demasia, evocando assuntos em nada relacionados ao processo, cabe ao mentor dirigir as conversas para áreas mais importantes. Os principiantes podem encontrar dificuldades nesse particular, por considerar em que toda a informação trazida é de suma importância para o processo.

Intimamente relacionada com os aspectos da centralização das discussões no âmbito da mentoria, podemos levantar uma outra questão: como trabalhar tópicos relevantes?

Em primeiro lugar, é importante ressaltar que o mentor deverá fazer um levantamento do problema trazido pelo mentee, através de hipóteses. Após esse levantamento, cabe ao mentor explorar qual o grau e a importância que esse problema representa para o processo. Assim, o mentor deverá se perguntar: “Qual o alcance do problema”. “Suas ramificações são amplas ou são muito específicas”? É um exemplo de um padrão modesto ou apenas um incidente isolado? Quais são suas implicações ou consequências? Como ele se relaciona com os problemas que está enfrentando na vida diária e/ou na mentoria?

Uma outra técnica para obtenção de dados a respeito do problema do mentee consiste em traduzir aquilo que o mentor ouviu e verbalizou. Tal técnica proporciona uma oportunidade para ambos checarem as preposições, bem como entrarem em um consenso. Outra abordagem que merece destaque é apresentar o problema para na forma de hipóteses; caso seja ela verdadeira, o mentee irá confirmá-la.

Apesar de tais dicas serem bem práticas, haverá circunstâncias em que elas não serão eficientes, então caberá ao Mentor utilizar do bom senso. O Mentor, nesse caso, poderá recorrer a técnicas como indagação, apresentação de feedback, oferecimento de hipóteses, estabelecimento de conexões, confrontação e aconselhamento.  Tais instrumentos são úteis para a exploração da dimensão de um problema apresentado pelo mentee.

 

Claudio Brito é mentor de mentores e CEO Global Mentoring Group, um grupo internacional focado na alta performance de mentores, baseado nos Estados Unidos. Especializado em Marketing Digital pela Fecap-SP e em Dinâmica dos Grupos pela SBDG, tem 21 anos de experiência e treinou com mestres como Alexander Osterwalder, Steve Blank e Eric Ries. Além disso, é frequentador assíduo de treinamentos de alto impacto em Babson, Harvard e MIT – Massachusetts Institute of Technology. Para saber mais, acesse https://globalmentoringgroup.com/ ou pelo @claudiombrito ou @globalmentoringgroup