Colégio Diocesano “Santa Luzia 120 anos de fundação

Geraldo Maia do Nascimento

A ideia surgiu durante a primeira visita pastoral a Mossoró do Bispo Dom Adauto Aurélio de Miranda Henrique, Bispo da Paraíba, em janeiro de 1900, cuja Diocese compreendia, na época, todas as paróquias do Rio Grande do Norte. Durante o tempo que durou a visita, Dom Adauto, em conversa com os paroquianos, sentiu que a maior aspiração do povo mossoroense era a criação de uma “casa de educação moldada nos princípios evangélicos”.  Foi pensando em atender a essa necessidade que o Bispo reuniu os cidadãos de maior projeção da cidade para discutir a possibilidade da instalação de um educandário, que preenchesse os requisitos mais indispensáveis à formação intelectual dos jovens, dentro dos princípios cristãos.  Aceita a ideia da criação do educandário, os presentes se comprometeram a adquirir prédio e mobiliário que se adaptasse a tal fim.  Para tanto, foi composta uma comissão formada por: Cel. Miguel Faustino do Monte, empresário; Dr. João Dionísio Filgueira, Juiz de Direito da Comarca e o Dr. Francisco Pinheiro de Almeida Castro, médico e político.  Sem perda de tempo, a comissão angariou, junto a todas as classes sociais, os recursos necessário para a aquisição de cinco casas, na rua 30 de setembro, onde se localiza atualmente a Agência Central do Banco do Brasil.

No dia 22 de fevereiro de 1901 chegou a essa cidade o Cônego Estevão José Dantas, para em nome de S. Excia. Revma., o Sr. Bispo diocesano, fundar e dirigir um Colégio de Instrução primária e secundária. Foi assim que em 02 de março de 1901, num dia de sábado, às doze horas do dia, no prédio onde deveria funcionar o colégio, se reuniu autoridades e cidadãos mossoroenses, sob a presidência do Reverendíssimo Cônego Estevão José Dantas, para oficializar o ato de fundação do estabelecimento de ensino, que passaria a se chamar: “Collegio Diocesano de Sancta Luzia de Mossoró”, conforme consta na Ata de instalação do colégio.

Em princípios de outubro de 1901, foi iniciada a construção de um novo edifício, no mesmo local das velhas casas, para atender as necessidades crescentes de um colégio que abrigava não só alunos de Mossoró, como também de comunidades vizinhas que entregavam a educação de seus filhos aos cuidados do Cônego Estevão Dantas.

O Cônego Estevão Dantas permaneceu na direção do Colégio Diocesano Santa Luzia desde a sua fundação, em 02 de março de 1901, até 17 de fevereiro de 1907, quando solicitou afastamento para tratamento de saúde. O seu substituto foi o Revmo. Padre Francisco Hermenegildo de Lucena Sampaio, que permaneceu no cargo por poucos dias, já que fora convocado pelo Bispo Dom Adauto para prestar os seus serviços no Estado da Paraíba.

A direção foi ocupada em 22 de abril de 1907 pelo Padre Paulino Duarte da Silva, que permaneceu até 1909 quando, por problemas financeiros o Colégio, suspendeu as suas atividades, transferindo os seus poucos alunos para o Grupo Escolar “30 de Setembro”.

Foi só em 1912 que o Colégio voltou as suas atividades, por autorização de Dom Joaquim Antônio de Almeida, primeiro Bispo do Rio Grande do Norte, sob a direção de Frei André de Araújo, da Ordem Franciscana, tendo apenas 85 alunos matriculados. Mas viria a dirigir o Colégio por poucos meses, uma vez que fora convocado por Dom Joaquim para novas missões em Natal. Foi substituído por Frei Rolim, nomeado em 02 de agosto de 1912, que também permaneceu por curtíssimo tempo, sendo substituído em fevereiro de 1913, indo assumir outras atividades na capital do Estado.

Coube ao Padre Manoel de Almeida Barreto a direção do Educandário. Esse, no entanto, teve muita dificuldade na administração, principalmente durante a grande seca de 1915 que assolava o Nordeste. Nesse período o Colégio deixou de funcionar para que suas instalações servissem de apoio aos flagelados da seca, que ali recebiam, diariamente, a “ração do dia”. Mas no ano seguinte as aulas foram reiniciadas, tendo o Padre Manoel de Almeida redobrado as atividades educacionais do Diocesano. Permaneceu no cargo até abril de 1918, quando foi substituído pelo Revmo. Padre Ulisses Maranhão, nomeado pelo 2º Bispo do Rio Grande do Norte, Dom Antônio dos Santos Cabral.

O Padre Ulisses ficou no cargo até janeiro de 1920, quando foi sucedido pelo Revmo. Padre Manoel da Costa Pereira, isso mesmo por breve tempo, já que em janeiro de 1921 foi transferido para Natal.  O novo diretor foi o Revmo. Padre Manoel Gadelha, que amargou mais um fechamento do Colégio por falta de alunos. Era a terceira vez que isso acontecia.

E o povo de Mossoró, ressentido, procurou o Bispo, Dom José Pereira Alves, solicitando a reabertura da Escola e inclusive o retorno do Padre Manoel de Almeida Barreto. Dessa forma, a 1º de março de 1924 o Diocesano voltava a funcionar, contando com a matrícula de 114 alunos. Dessa vez o Monsenhor Almeida Barreto permaneceu no cargo até o dia 27 de maio de 1927, quando anunciou a sua saída em definitivo, assumindo provisoriamente o Monsenhor Joaquim Honório, enquanto aguardava o seu substituto, o Monsenhor Amâncio Ramalho que foi empossado em 5 de junho daquele ano.

Em 1935 o Cônego Amâncio Ramalho foi nomeado Diretor do Departamento de Educação do Estado do Rio Grande do Norte, pelo Interventor Federal Dr. Mário Câmara, deixando em seu lugar, como Diretor do Diocesano, o Padre Jorge O’Grady de Paiva, que tomou posse em 2 de março de 1936.

O Padre Jorge O’Grady permaneceu no cargo até janeiro de 1944, quando foi transferido para Natal, assumindo em seu lugar o Padre Gentil Diniz Barreto, permanecendo até 1945, quando retornou ao Estado de Pernambuco.

Longa lista de Diretores teve o Colégio Diocesano Santa Luzia. Mas não paramos por aqui. Essa história continua na próxima semana, quando falaremos da luta que foi a construção da sede nova, ou do prédio atual, do Diocesano. Afinal são 120 anos de história para ser contadas no pouco espaço da coluna de um jornal. Então até lá.

Para conhecer mais sobre a História de Mossoró visite o blogdogemaia.com e o canal do You Tube Na História com Geraldo Maia.