CID AUGUSTO – VELHA MODERNIZAÇÃO

 

 

Suspensão das eleições na Uern

Li a decisão liminar da juíza Adriana Santiago Bezerra, da 3ª Vara da Fazenda Pública de Mossoró-RN, que suspendeu a consulta pública para escolha de reitor e vice-reitor da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern), a pedido da chapa formada pelos professores Francisco Paulo da Silva e Kelânia Freire Mesquita.

Leia a decisão judicial na íntegra.

 

É preciso se adequar

A medida é impactante, sem dúvida, mas está correta. A Comissão Eleitoral, em uma postura serena, acatou a ordem e anunciou a adequação do sistema em respeito ao direito de sufrágio livre e sem embaraços de professores, técnicos e alunos.

 

Cor da sorte

O prefeito Allyson Bezerra (Solidariedade), com aquiescência da Câmara Municipal, “modernizou” o brasão do município de Mossoró, dando “intensidade” ao azul, coincidentemente a cor de sua campanha vitoriosa em 2020.

 

A imagem de uma das novas versões do brasão de Mossoró aparece piscando antes de o site oficial do município dar acesso ao internauta. Confira: https://www.prefeiturademossoro.com.br/

 

Essencial em plena pandemia

Embora estejamos enfrentando problemas seriíssimos em todos os setores, por causa da pandemia, Allyson Bezerra entende que “a mudança faz-se necessária quando se pensa em uma Mossoró moderna”, conforme o portal de notícias da prefeitura.

 

Retrovisor

Desculpa repetir, mas as palavras “mudança” e “modernizar”, presentes em quase todos os informativos municipais, conjugadas com a cor azul e o slogan da propaganda eleitoral, dão a impressão de um governo de retrovisor. Quem pretende avançar, bota os adversários derrotados na parede do museu e mira o futuro.

 

Velha modernização

A fórmula é antiga e comum. Em muitos lugares, mandatários de primeiro ano tentam apagar marcas de gestões anteriores e impor as próprias, a “modernização”, a “mudança”, o “futuro”. De toda maneira, a iniciativa pode ferir o princípio da impessoalidade imposto pela Constituição Federal (CF) de 1988 aos gestores públicos.

 

O município sou eu

O cúmulo da personificação, até agora, parecia ser o uso de mosaicos cunhados com a rosa símbolo das campanhas de Rosalba Ciarlini em obras de suas gestões. Nem ela, entretanto, no auge da popularidade, sob o signo do “Adoro Mossoró”, ousou fazer o que Allyson está fazendo: modificar o brasão da cidade para “adequá-lo” ao seu projeto político.

 

Historicamente

Do ponto de vista histórico, a decisão é igualmente questionável e não poderia ser fruto de um plano de marketing político-administrativo, ainda menos sem a participação da sociedade ou, no mínimo, da comunidade acadêmica e da chamada “intelectualidade”.

 

Reflita

Imagine se o PT tivesse incluído uma estrelinha vermelha na Bandeira do Brasil ou o presidente Jair Bolsonaro resolvesse “modernizar” o Pavilhão Nacional “avivando” tonalidades que a aproximem ainda mais das Forças Armadas. Sinceramente, parodiando Chico, não vejo distância entre intenção e gesto.

 

Endurecendo

Desde os 12 de abril, com as alterações do Código de Trânsito, quem cometer homicídio culposo ou lesão corporal culposa ao volante de veículo automotor, sob influência de álcool ou de qualquer outra substância psicoativa que determine dependência, não terá a pena privativa de liberdade (prisão) substituída por sanções restritivas de direitos (as famosas penas alternativas). No caso do delito de lesão corporal, a proibição está condicionada ainda à gravidade do resultado.

 

Imagem de Steve Buissinne por Pixabay

 

Cinema Regional

Tomo conhecimento pelo blog Pauta Aberta, do meu amigo Lúcio Flávio, jornalistas dos melhores, correspondente do O Mossoroense no Vale do Açu durante muitos anos, o anúncio da exibição do filme sobre o Rei Janduí, no próximo 19 de abril, Dia do Índio.

 

Quem foi

Janduí entrou para a história por liderar a resistência indígena contra o genocídio da colonização europeia. De acordo com Lúcio, o filme tem “roteiro e direção de Paulo Sérgio Sá Leitão, imagens e direção de fotografia de Jorginho, filmagens de Luka Filmes & Produções e, a participação do ator Nailton Cabral”, no papel do protagonista.

 

 

Vamos de Mia Couto

 

Que saudade

tenho de nascer.

Nostalgia

de esperar por um nome

como quem volta

à casa que nunca ninguém habitou.

Não precisas da vida, poeta.

Assim falava a avó.

Deus vive por nós, sentenciava.

E regressava às orações.

A casa voltava

ao ventre do silêncio

e dava vontade de nascer.

Que saudade

tenho de Deus.

 

(Saudade, transcrito de “Tradutor de Chuvas”)