Carência afetiva

Certa vez a televisão exibiu reportagem sobre algumas mulheres que caíram no conto de um estelionatário disfarçado de Don Juan. Envio de flores para uma, canções de amor para outra, jantares românticos a uma terceira, falsos choros e orações, enfim, as mais diversas atitudes que levaram todas a quedarem-se aos seus “irresistíveis encantos”.

Conforme explicou a especialista em sexualidade humana, Ana Cristina Canosa, “o Don Juan é sedutor. Ele percebe o que outro está necessitando, rapidamente. São muito perceptivos. Percebem a fragilidade, se apresentam para pessoa da mesma forma, descreve o que ela quer. Porque a gente descreve pro outro, o que a gente quer”. Dado as circunstâncias dos fatos, as vítimas, talvez, apresentassem em comum, o mesmo ponto fraco: carência afetiva. Agora, estão todas com seus sentimentos feridos, autoestima abalada, sem contar com a subtração dos bens materiais, em busca de justiça.

Necessário se faz que pessoas acometidas por esse tipo de agressão, busquem superar as lembranças amargas do insucesso anterior, não recuando diante de novas oportunidades de relacionamento que venham a surgir. Conforme esclarece-nos o Espírito Joanna de Ângelis através da psicografia do médium espírita Divaldo Franco, “não se pode mensurar todas as pessoas com os dados adquiridos na convivência com alguém. O desacerto em um relacionamento deve ensinar como não mais comportar-se em nova ocasião. Para tanto, torna-se imperiosa a conduta de libertação da mágoa, abrindo-se ao milagre do amor. (…) Cultivar-se, porém, os ressentimentos que decorrem das experiências malogradas, cuja finalidade é proporcionar amadurecimento psicológico, desenvolvimento emocional, não passa de capricho infantil”.

Tramas desagradáveis como esta citada na reportagem, e que podem sobraçar a qualquer um de nós, apesar de sua rudeza, trazem à tona a necessidade que temos de melhor lidarmos com nossos sentimentos. O que não podemos perder de vista é a certeza de que, conforme nos afirma a Benfeitora Espiritual, “o amor é portador da magia renovadora que tudo apaga e consome, abrindo infinitos espaços para a instalação da felicidade. Ninguém existe, que haja transitado pelos sublimes caminhos do amor, sem que tenha experienciado algum tipo de desafio, que nunca se deve transformar em ressentimento”.