terça-feira, 3 de fevereiro de 2026
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Campanha contra assédio sexual nos transportes públicos de Natal vai continuar

Novas ações serão planejadas para que as mulheres usuárias dos transportes públicos sejam alertadas para a necessidade de denunciar o assédio ssexual nos transportes públicos de Natal. No final da tarde dessa quarta-feira (04), a equipe envolvida com a campanha “Não dê passagem ao assédio sexual. Mulher, não se cale” atuou na zona oeste da capital potiguar, fechando o ciclo previsto para atender as quatro regiões da cidade nesta etapa planejada para março. O primeiro local escolhido foi o terminal rodoviário da Cidade da Esperança, em seguida, a equipe foi para a Praça Gentil Ferreira, Avenida Presidente Bandeira e Avenida Felizardo Moura, no Alecrim.

Para chamar a atenção dos usuários e usuárias que estavam nos pontos de ônibus, a equipe de atores do teatro da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (STTU) saia em cortejo pelo local, cantando os versos que criaram especialmente para a campanha, acompanhados por instrumentos musicais: “Respeito é bom, não ultrapasse o limite, não vou tolerar abuso, meu corpo não é convite. Esse assunto não tem nada de banal, não se cale, denuncie o assédio sexual”. Enquanto os atores realizavam a performance, os outros integrantes da equipe saiam abordando as pessoas, tanto nas paradas quanto nos ônibus, para a entrega de leques com informações educativas alertando para o crime e a necessidade de denunciar.

“Esses momentos foram muito proveitosos, a Prefeitura foi às ruas estimular as pessoas a denunciar, a enfrentar o assédio sexual que existe nos transportes públicos da cidade do Natal. A receptividade das pessoas foi excelente, algumas nos disseram que estamos no caminho certo, que precisava mesmo de uma campanha como esta. A campanha deverá continuar, vamos fazer novas proposições de ações que acontecerão ao longo do ano na cidade”, aponta Andréa Ramalho Alves, secretária municipal de políticas públicas para as mulheres.

A campanha “Não dê passagem ao assédio sexual. Mulher, não se cale” foi lançada no início do mês de março em referência ao Dia Internacional da Mulher. O planejamento de estar presente nas quatro regiões administrativas de Natal, levando as informações sobre a necessidade de denunciar o crime, foi cumprido. A ação foi fundamentada em pesquisa inédita, realizada no final de fevereiro na capital potiguar, para mensurar a percepção das mulheres sobre assédio sexual nos transportes públicos.

Mais de dois terços das entrevistadas (67,24%) afirmaram já ter presenciado algum tipo de assédio sexual em transportes coletivos na cidade de Natal; 30,63% responderam que não presenciaram e 2,13% não souberam ou não quiseram responder. As entrevistadas na região norte da cidade foram as que mais presenciaram assédio sexual em transporte coletivo (82,52%), seguidas pelas entrevistadas na região leste (68,52%), sul (65,52%) e oeste (52,52%). As entrevistadas da cor preta foram as que mais presenciaram, com o equivalente a 76% do total.

Os tipos de assédio sexual mais testemunhados foram as “encoxadas propositais” (61,34%), seguidas por “olhares inconvenientes” (45,35%), “cantadas inconvenientes” (39,78%), “toque em alguma parte do corpo” (35,50%), “sussurros indecorosos (indecentes)” (18,77%) e “gestos obscenos (tocar genitália/ masturbação)” (11,15%).

“Essa pesquisa foi fundamental, pois divulgou uma realidade muito preocupante para nós e nos apresentou a necessidade de implantar políticas públicas que enfrentem o assédio nos transportes públicos. Nós não podemos permitir que mulheres no dia de hoje sejam assediadas porque o ônibus está lotado e que os homens se aproveitem dessa situação para assediá-las. Nós precisamos conscientizar essas mulheres a enfrentar esse problema e reduzir esses indicadores”, reforça Andréa Ramalho Alves.

Nos pontos de ônibus, os números da pesquisa se confirmam: a empregada doméstica Sônia Maria dos Santos diz que nunca foi assediada, mas já presenciou várias situações: “já vi muitas mulheres passando por isso, os homens se esfregando na mulher por trás, isso é um absurdo e deve denunciar mesmo. Essa campanha é um alerta para a gente prestar atenção e denunciar”, analisa Sônia.

A secretária da Semul dá um recado para as mulheres: “não sejam omissas, a omissão é também uma forma de violência, criemos coragem para denunciar, as DEAMs precisam dessas denúncias para poderem atuar, e nós precisamos de indicadores para podermos trabalhar com mais eficácia e eficiência”.

A campanha “Não dê passagem ao assédio sexual. Mulher, não se cale” é coordenada pela Secretaria Municipal de Políticas Públicas para as Mulheres (Semul) em parceria com a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (STTU), Secretaria Municipal de Planejamento (Sempla), Secretaria Municipal de Comunicação Social (Secom), Secretaria Municipal de Segurança Pública e Defesa Social (Semdes) e o Gabinete do Prefeito (Gapre). A iniciativa conta ainda com o apoio do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (CMDM).

Suporte para o enfrentamento à violência contra a mulher

As mulheres que precisarem de suporte para o enfrentamento à violência podem contar com o serviço prestado pelo Centro de Referência da Mulher Elizabeth Nasser, que dispõe de atendimento psicossocial. As que estão sob ameaça de morte em decorrência da violência doméstica e familiar podem contar com os serviços da Casa Abrigo Clara Camarão, juntamente com seus dependentes. Elas permanecem abrigadas em caráter sigiloso até que as medidas protetivas sejam deferidas e possam retomar suas rotinas com segurança.

Centro de Referência da Mulher Elizabeth Nasser

Av. Bernardo Vieira, 2280 (próximo à sede da SEMTAS)

Telefones: 3232.4875, 3661.8332 e 0800.281.8000

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