Caminhoneiros bloqueiam trecho da BR-110 em protesto contra Dilma

Caminhoneiros bloquearam um trecho da BR-110, próximo à empresa Halliburton, ontem pela manhã. Desde as 5h, a passagem de caminhões e carretas foi impedida e somente carros de passeio, motos e ônibus puderam atravessar. O protesto se estendeu até as 16h de ontem.

Os manifestantes reivindicam a saída da presidente Dilma Rousseff e o cumprimento das pautas da categoria, entregues ao Governo Federal em março.

“Entregamos nossa pauta em Brasília no mês de março e, até agora, nenhum dos pontos apresentados foi cumprido. O que tem ocorrido é o contrário, aumento no preço do diesel e piora nas condições de trabalho dos caminhoneiros”, disse o líder do Comando Nacional de Transportes, Ivar Luiz Schmidt.

Em abril deste ano, caminhoneiros realizaram outros protestos, paralisando o trânsito nas BRs e estradas em todo o país. Na época, os protestos dos caminhoneiros chamaram a atenção em todo o país e os representantes da categoria se reuniram com o ministro de Transportes, Antônio Carlos Rodrigues, a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, e o secretário geral da Presidência, Miguel Rosetto, em Brasília.
Ivar Luiz conta que o movimento de organização dos caminhoneiros começou em Mossoró e, entre os pontos que a categoria pleiteia estão a criação de tabela de preços para os fretes conforme a distância percorrida, melhoria das estradas e estabelecimento de um piso nacional para caminhoneiros.

“O Governo Federal está descumprindo o que acordou com a categoria. Queremos a implantação de percentual de 40% dos fretes feitos em órgãos como as Centrais de Abastecimento (Ceasas), reservados para cooperativas de caminhoneiros. É preciso ainda garantir aposentadoria aos caminhoneiros após 25 anos de contribuição”, afirma Ivar Luiz Schmidt.

O líder do Comando Nacional de Transportes explica que os protestos pelo Brasil foram organizados através das redes sociais, reunindo mais de cinco mil caminhoneiros e carreteiros. Em Mossoró, ele garante que o movimento conta 150 trabalhadores.

Os caminhoneiros reclamam de perdas geradas pela redução nos valores do frete e aumento no preço do diesel desde o ano de 2011. Na tabela de preços entregue pela categoria ao Governo Federal em março estão determinadas as cobranças por fretes de um a 6.000 km, com custo por tonelada de carga a partir de R$ 28,26 a R$ 777,64.

Conforme o documento, os valores dos fretes devem ser pagos à vista e não incluem itens como despesas de carga e descarga, pedágios, gerenciamento de risco e escolta.

Falta de infraestrutura encarece custos de viagens para caminhoneiros

Além da falta de tabela para pagamento de fretes e aumento no preço do diesel, outro fator que encarece as viagens dos caminhoneiros é a falta de locais públicos para estacionamento e descanso. Os trabalhadores contam que, em abril, o Governo Federal prometeu transformar os postos de fiscalização abandonados em estacionamentos para caminhões e carretas a fim de que os motoristas tivessem locais seguros e gratuitos para descansar.

“O Governo prometeu fazer estacionamentos, mas até agora nada e nós continuamos tendo de pagar de R$ 25 a R$ 40 para poder estacionar o caminhão nos postos à noite e dormir. Além de caro, esse serviço não inclui coisas como o banho, pago à parte, e é insuficiente para todos, muitos nem param, se arriscam”, declara o caminhoneiro Enéias Castro Pereira.

Outro problema enfrentado pelos caminhoneiros é a falta de um salário estabelecido. Enéias Castro Pereira conta que, no Rio Grande do Norte os pagamentos mensais variam de R$ 1.170 a R$ 1.900. Ele revela que fatores como elevada carga de trabalho, prazos apertados e falta de locais para descanso fazem muitos motoristas dirigirem por mais tempo que o recomendável.

“As estradas também são muitos ruins, acabam com os caminhões. Como se não bastassem os problemas, essa nova lei da altura do para-choque tem causado prejuízos, pois, no caso do meu caminhão, ele vem com essa altura de fábrica, mas já fui multado duas vezes por isso”, conta Enéias Castro.