segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026
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Áudios, Justiça e dinheiro da saúde: o que os blogs aliados omitem na Operação Mederi

Desde a semana passada, Mossoró acompanha as denúncias sobre supostos desvios de recursos da saúde na gestão municipal. Agora, um movimento chama atenção: blogueiros alinhados à Prefeitura passaram a tentar descredibilizar a Justiça e, mais recentemente, a espalhar a versão de que não há nada que incrimine o prefeito Allyson Bezerra nos áudios da Operação Mederi, da Polícia Federal.

O problema é que essa versão vem sendo divulgada sem apresentar qualquer documento que a sustente.

O ponto central da investigação que esses blogs evitam explicar está justamente nos diálogos interceptados entre os sócios da empresa DISMED, Oseas Monthalggan e José Moabe.

Nessas conversas, descreve-se um esquema em que 15% do valor dos contratos seriam destinados ao prefeito e 10% a uma pessoa identificada como “Fátima”. Não se trata de comentário genérico. São percentuais específicos, associados a contratos reais e a notas fiscais analisadas pela Controladoria-Geral da União.

A defesa tenta sustentar que “conversa de terceiros não incrimina gestor”. Mas o Tribunal Regional Federal da 5ª Região não decidiu por achismo. A decisão cita entendimento consolidado do STJ e do STF: esse tipo de diálogo não serve sozinho para condenar, mas é válido como indício de autoria para autorizar medidas cautelares como busca e apreensão e bloqueio de bens.

No caso de Mossoró, não é apenas o que foi dito. É o que foi dito e o que bate com os números. A investigação identificou que os percentuais mencionados coincidem com a execução dos contratos. E há algo ainda mais grave: segundo os diálogos, parte da propina não era paga imediatamente, mas provisionada para abastecer campanha eleitoral do grupo político do prefeito  uma espécie de “reserva”.

Foi essa precisão, quem recebe, quanto recebe e para que seria usado, que levou o desembargador Rogério Fialho Moreira a autorizar medidas urgentes. Para o magistrado, a forma detalhada como o dinheiro era tratado indica ligação entre empresários e agentes públicos.

As interceptações funcionaram como o fio da meada. A partir delas, a Polícia Federal obteve autorização para cumprir 35 mandados e rastrear o caminho do dinheiro. Não é “ouvir dizer”. É investigação técnica: verificar se os 15% e os 10% chegaram ao destino apontado.

Hoje, a Justiça mantém o bloqueio de bens e as apurações continuam. O que está em jogo não é narrativa de blog. É dinheiro da saúde pública, dinheiro que deveria estar em remédio, hospital e atendimento.

A pergunta central não é se o áudio “incrimina” ou não na opinião de aliados.

A pergunta é: o dinheiro foi desviado ou não?

E isso quem vai responder não é blog. É a investigação.

Por Joyce Moura – jornalista

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