“As dores do mundo…”

Não existe uma dor maior e outra menor. Ambas são dores consideráveis. Ambas provocadas pelo bicho mais desprezível que já tocou a face da Terra: o homem.

Na França, a guerra que se arrasta há anos pelo mundo afora vai tomando conta de outros continentes. Nenhum dos lados totalmente inocentes, ambos imbuídos de um ódio vão fazendo vítimas que nada tem a ver com a verdadeira razão da guerra: o dinheiro.

Aqui, ele, o dinheiro, tentando a todo custo comprar a consciência do mundo ante a um dos maiores desastres ambientais do país. A lama que destruiu comunidades inteiras de Minas Gerais, matou o Rio Doce, dizimou espécies da fauna e da flora, tenta ser vendida por milhões, bilhões. Nada paga. O rio doce de Drummond, de Zé Geraldo agora não existe mais. E o poeta de Itabira, de forma admirável, profetizou o desastre em seu poema Lira Itabirana, em 1984.

Então, não são bandeiras em redes sociais que expressam os nossos lutos. Precisa-se de mais. Precisa-se de ações e de vozes que façam ecos pelo mundo afora.

Que ecoem contra o terrorismo pelo mundo inteiro, na França, na Síria, no céus e no inferno, se preciso for. Não se pode medir tantas dores.

Que ecoem contra um capitalismo que se sobrepõe a tudo e a todos. Contra uma natureza agora morta e nunca mais recuperada. Ecoem dizendo que certas coisas não tem valor que pague. Vidas humanas e outras não menos importantes. Ninguém precisa brigar (mais ainda) para medir o tamanho do luto de cada um. Cada um sente a sua maneira e todas as duas tragédias são brutais.

Sejamos nós, os que não sentimos na pele, os portadores das vozes daqueles que não têm mais como gritar. Façamos ecoar o nosso grito. Pela França, por Mariana, pelo mundo.

Et cetera…

O RustCafé, no centro da cidade, está se tornando o ponto de encontro de escritores e intelectuais. Muitos são os encontros em torno de letras e livros. Mossoró estava mesmo carente de espaços desta natureza. Ainda não marquei presença, mas em breve aparecerei.

Preocupante o movimento do comércio. Quem caminha pelas ruas percebe a apatia e o esvaziamento das lojas, mesmo em um período como este, de aquecimento. Nem as esperadas vagas temporárias surgiram este ano.

Entrevistei há alguns dias um gerente de loja e ele falou que a queda nas vendas para este ano chega a 40% em comparação com o ano passado e culpa, dentre outras coisas, a pendenga envolvendo os táxis intermunicipais.

Segundo ele, devido aos episódios vividos há alguns meses pelos taxistas, muita gente está achando melhor ir para outras cidades, como Caicó, Catolé do Rocha, na Paraíba, e Pau dos Ferros, onde podem circular sem problemas.