Artista plástico autodidata pinta desde a infância telas que chamam a atenção de especialistas na área

Como um tesouro escondido entre as muitas ruas de Mossoró, Nelson de Oliveira Júnior se refugia no seu ateliê, no centro da cidade, sem que ninguém se depare com seu talento para as artes plásticas.

Pintando desde os 12 ou 13 anos, Nelson foi descoberto recentemente pelo também artista plástico Rogério Dias, que levou algumas de suas telas para uma exposição coletiva, levando muitos apreciadores das tintas e pincéis a se impressionar com a técnica do pintor autodidata.

Indagado de onde poderia ter vindo seu talento para a pintura, Nelson diz que talvez tenha herdado de sua mãe, Maria Neuza Freire: “Talvez pelo fato de minha mãe também pintar, isto tenha de alguma forma me influenciado, se existe um dom, este foi um dom que eu captei dela, mas meus primeiros quadros foram da minha imaginação”, comenta o artista que até bem recente nem sabia ao certo o valor de suas obras.

“Eu já recebi algumas encomendas, já perdi até as contas, mas eu nunca vendi. Há alguns dias é que a professora Isaura Amélia colocou valor em uns quadros, mas eu nem sei se é caro ou barato”, diz Nelson.

Adepto do realismo, paisagens nordestinas e animais dão o tom das paredes em torno do artista que tem praticamente pronta uma exposição. Humilde nas palavras, ele confidenciou não gostar muito de aparecer e tem a pintura como um estilo de vida: “Eu não tenho problema de saúde, não tenho problema de depressão, quando eu vou pintar eu me desligo totalmente do mundo, eu estou dentro da tela que eu estou pintando”.

Além de trabalhos em óleo sobre tela, Nelson também utiliza técnicas de pirogravura e grafite.

Apreciadores de arte se impressionam e comentam o trabalho desenvolvido por Nelson

Para Rogério Dias, o traço de Nelson tem um toque de exclusividade: “Eu conheço muito da arte produzida em Mossoró, mas, sem exageros, não lembro de ter visto um traço tão bom quanto o de Nelson nesta técnica”, exaltou.

Segundo Nelson, há algumas décadas, o professor da então Escola Superior de Agricultura de Mossoró (Esam), Alexandre Paula Braga, levou um grupo de californianos para conhecer seus trabalhos. Depois de adquirirem trabalhos dos renomados Joseph Boulier e Marieta Lima, um especialista em arte teria então confidenciado ao professor: “Marieta é uma profissional, mas o trabalho deste moço é bem melhor” e levou uma das telas do artista mossoroense, que por não saber ao certo o valor de suas obras, ao invés de vendê-la, presenteou o colecionador.
Por Caio César Muniz
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