Aneurisma mata o contador de causos Tidó

Em observação após um Aneurisma Vascular Cerebral ocorrido há uma semana, faleceu ontem em Mossoró uma das figuras mais emblemáticas de Tibau, o pescador Raimundo Vieira de Melo, o Tidó.

Há cerca de cinco anos Tidó deixou Tibau, após o falecimento de sua esposa, desde então passou a morar na casa de uma sobrinha, em Mossoró, mas sempre falava com saudade da sua cidade.

“O velho pescador trocou a brisa de Tibau pelo calor de Mossoró, mas ele me reclamava disto. Encontrou abrigo na casa de uma sobrinha costureira no bairro Doze Anos. Em Tibau, não tinha esposa nem filha para tomar conta de sua casa ou da sua velhice”, informou a jornalista Lúcia Rocha, que conhecia de perto o pescador tibauense.

Nascido na Gangorra aos 9 de agosto de 1923, Tidó era conhecido pela sua lucidez e pelas lembranças divididas entre os moradores da cidade-praia e pelos visitantes ilustres que sempre lhe abordavam para ouvir as suas histórias e “estórias”.

Jornalistas e escritores imortalizaram a figura de Tidó em seus escritos, o poeta Francisco Nolasco, por exemplo, escreveu várias crônicas sobre o velho pescador e contador de causos e lamentou o seu falecimento.

“Tidó contagiava a todos com sua alegria, dos mais simples nativos aos visitantes mais ilustres, certamente vai deixar um vazio na cidade-praia”.

Lúcia, que atualmente divide seu tempo entre Tibau e Mossoró, fez ainda um retrato de Tidó em sua ótica: “Representa um misto do velho e o novo de Tibau. Ele era um personagem que transitava em todas as camadas sociais dos nativos e veranistas, querido por todos, conhecia todo mundo”, avaliou.

Carnavalesco assíduo, Tidó também é patrono de uma troça que há vários anos anima os carnavais de Tibau.

“Conheci Tidó quando Tibau era a praia das areias coloridas. Bom de papo, atencioso, sempre com o causo pra contar sobre veranistas e pescadores nativos. Passado o tempo, o reencontro na casa de sobrinhos – irritado com o que a idade carrega mas sempre com uma cordialidade na ponta da língua mesmo que essa fosse o título de “doutor” nunca tido e por ele distribuído como um agrado”, destaca o colunista social Paulo Pinto.

Tidó deixou um filho, Chico de Tidó, e um enteado Zé de Tidó. O enterro está marcado para 17h30, no Cemitério São Sebastião, em Tibau.