Alegorias das Festas Natalinas – Geraldo Maia

Mais um natal se aproxima e o mundo cristão se prepara para celebrar o nascimento do Filho de Deus em 25 de dezembro. É uma festa cercada de muita simbologia, a partir da sua origem, pois não se sabe ao certo o dia em que Jesus nasceu.

O Natal teve origem em festas pagãs que eram realizadas na antiguidade. Nessa data, 25 de dezembro, os romanos celebravam a chegada do inverno (solstício de inverno). Eles cultuavam o Deus Sol (natalis invicti Solis), e ainda realizavam dias de festividades com o intuito de renovação. Outros povos também celebravam a data, como por exemplo os mesopotâmicos, com o “Zagmuk”, onde um homem era escolhido para ser sacrificado, pois acreditavam que no final do ano alguns monstros despertavam.

Com a consolidação do Cristianismo, a partir do século IV, o Papa Julius I (337-352) oficializou a data como Natale Domini (Natal do Senhor), sendo essa a forma de cristianizar as festas pagãs romanas, dando-lhes uma nova simbologia. O Imperador Justiniano, em 529, declarou a data como feriado nacional.

O termo Natal tem origem na palavra “natalis”, que em latim significa nascimento. Por se tratar do nascimento de Jesus Cristo, para a comemoração dessa data foram surgindo vários sinais representativos, cada qual com um significado distinto e com origem pagã ou religiosa. Dessa forma, conjunta ou isoladamente, conhecemos os elementos que nele figuram: a sagrada família, composta por Jesus, José e Maria, os três reis magos, o anjo e a estrela.

Um dos símbolos mais significativos usados nessa data é o presépio, que recria o nascimento do Menino Jesus. O interessante é que o primeiro presépio foi montado por São Francisco de Assis, no século XIII, na Itália, para mostrar ao povo como teria acontecido. Depois, cada vez mais, a montagem do presépio tornou-se uma tradição forte e passou a ser montado nas casas, nas igrejas e em diversos locais durante o ciclo natalino. Simboliza também a união do divino com o terreno, quando reúne pessoas, animais e a figura de Deus.

Os anjos usados na decoração do Natal, remetem a São Gabriel, o anjo que anunciou a Maria que ela seria a Mãe de Jesus.

Os três reis magos são os magos que foram à procura de Jesus para adorá-los e levar-lhe presentes. Vem daí o costume de se dar presentes no Natal.

A estrela nos topos das árvores de Natal representa a estrela guia, seguida pelos reis magos para encontrar o local do nascimento de Cristo.

A árvore de Natal, no entanto, é um dos símbolos mais emblemáticos da festa. Nem todo mundo monta o presépio, mas a árvore sim. Pelo que consta, quem montou a primeira árvore em casa foi Martinho Lutero, a principal figura da Reforma Protestante. Mas mesmo antes de Lutero, as pessoas já usavam árvores enfeitadas para comemorar a chegada do inverno. E porque o pinheiro? A resposta é que o pinheiro é a árvore que mais resiste aos invernos rigorosos. Ela é, portanto, símbolo da esperança e paz, assim como Jesus para os cristãos. A árvore de Natal é montada próxima a data do nascimento de Cristo e desmontada depois do dia 6 de janeiro, data em que os reis magos encontraram o menino Jesus.

Outra figura muito representativa do Natal é a figura do Papai Noel, que é inspirada em um bispo turco chamado São Nicolau. Ele costumava deixar moedas próximas às chaminés das pessoas mais necessitadas. Representa a generosidade que acaba invadindo os corações na época natalina. O curioso é que a figura do Papai Noel que conhecemos hoje, velhinho, de barba branca e todo vestido de vermelho, foi criado pela Coca Cola para uma campanha publicitária. Agradou tanto que é usado até os dias atuais.

A ceia de Natal teve origem na Europa, onde as pessoas costumavam deixar a porta das suas casas abertas para receber viajantes. Simboliza a união e a confraternização das famílias. Por esse motivo na véspera do Natal, os familiares se reúnem à mesa para a tradicional ceia de Natal.

Os sinos de Natal é o símbolo que representa o anúncio do nascimento de Jesus. Isso porque, além de simbolizar as horas, avisa as pessoas para se reunirem para um acontecimento.

As velas de Natal simbolizam a fé, a luz de Cristo que ilumina a humanidade. Consta que na Alemanha um senhor costumava colocar velas na sua janela para iluminar o caminho dos viajantes. Dessa forma, as velas natalinas assumem o papel de representar a luz que o nascimento de Jesus traz para a vida das pessoas, porque Ele veio para dissipar as trevas, a escuridão.

As bolas de Natal simbolizam os frutos, a abundância. Inicialmente eram usadas frutas verdadeiras, que no final eram comidas pelas crianças. De acordo com a lenda, quando em um ano não houve frutas para decorar a árvore, um artesão fez bolas de vidro para as imitar. Em decorrência da sua arte, as bolas de vidro acabaram se tornando uma tradição e um elemento decorativo que não pode faltar no Natal.

A guirlanda é um símbolo de boas-vindas para quem nos visita nessa época do ano, por isso a tradição de pendurá-las nas portas. As guirlandas remontam à antiguidade e surgiram em Roma. Posteriormente passou a ser utilizada pela igreja com a adaptação de velas, onde surgiu a coroa do Advento.

Como podemos perceber, o Natal é carregado de magia e repleto de símbolos. Mas por trás de todas essas alegorias, está a mensagem do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo. Com ou sem festas, presentes e ceias fartas, é desse fato que devemos lembrar no dia 25 de dezembro.

 

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