Agripino afirma que conversa republicana “foi transformada” em tráfico de influência

O senador José Agripino, presidente nacional do DEM, emitiu nota de esclarecimento sobre a denúncia da Procuradoria Geral da República de que ele teria recebido propina para facilitar o contrato entre a construtora OAS e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A OAS foi contratada pelo Governo do Estado para construir e gerir a Arena das Dunas, estádio de Natal na última Copa do Mundo.

O parlamentar explicou que demorou a se manifestar porque somente agora recebeu o teor da denúncia da Procuradoria Geral da República. “Pelo que foi noticiado, uma conversa republicana, ocorrida entre autoridades públicas, foi interpretada como “tráfico de influência” perante o BNDES para favorecer a empresa que construía a obra Arena das Dunas em Natal”, destacou.

Na nota, Agripino explica que “a atividade político-parlamentar inclui, entre suas funções, a de, se necessário, se por à disposição para promover reuniões entre agentes públicos, objetivando defender interesses legítimos e transparentes do Estado, a exemplo da ocorrida para evitar a paralisação da obra de construção do estádio que foi usado para sediar a Copa do Mundo em Natal”.

O parlamentar explicou que a reunião que provocou a ação da PGR não resultou em entendimento entre as partes. Ele disse que foi necessária iniciativa do Estado, diretamente ao TCU, sem a interferência dele.

De acordo com Agripino somente depois disso se deliberou pela continuidade da obra, autorizando o BNDES a dar prosseguimento ao financiamento contratado. “Minha participação nesse assunto resumiu-se a essa reunião e não intercedi, sob nenhum pretexto, nas decisões tomadas pelo Tribunal de Contas da União e, muito menos, pelo BNDES”, justificou.

O senador acrescentou que a liberação dos pagamentos da obra foi submetida ao crivo de todos os órgãos de controle estatal sem a participação do parlamentar. ” Até por ser um senador da oposição sem qualquer acesso ao atual governo”, justificou.

Ele cita ainda que o TCU ao analisar a liberação dos recursos atesta a inocência do parlamentar. “A análise e a decisão da Corte de Contas da União determinando o prosseguimento da obra afastam inteiramente a repugnante notícia que interpreta como “corrupção passiva” a doação de campanha destinada ao Diretório Nacional do DEM e distribuída a diversos diretórios regionais, conforme consta das prestações de contas e dos registros contábeis do partido que presido”, frisou.

Sobre a questão do uso do avião da OAS, Agripino relata que fez um pedido em nome do falecido ex-senador João Faustino. “Do mesmo modo, não se podem interpretar como existência de cumplicidade e conluio com o diretor-presidente da OAS, os esforços desempenhados para salvar a vida do ex-deputado João Faustino. O pedido que fiz em nome da família para conseguir um avião que o transportasse de Natal a São Paulo foi motivado pela estreita amizade que unia João Faustino a Léo Pinheiro. Infelizmente a viagem não se consumou, pois sobreveio o falecimento que buscávamos evitar”, lamentou.

Afirmando ser vítima de perseguição dos que querem calar a voz dele, Agripino negou ter participado de lavagem de dinheiro. “Por fim, repudio, com veemência, a ilação de que pratiquei “lavagem de dinheiro”, decorrente da análise da movimentação financeira de minhas contas bancárias levadas a efeito pelo COAF – órgão subordinado ao Ministério da Fazenda. As movimentações apontadas são provenientes, todas de recursos próprios, operados sob minha inteira responsabilidade, com todos os comprovantes de licitude e legalidade que serão colocados à disposição dos órgãos de investigação e da Justiça”, garantiu.