A resiliência e o sucesso de um mossoroense no centro do mundo

Foto: Catherine McKinley.

Da rua Marechal Floriano, no bairro Paredões, em Mossoró, no interior do Rio Grande do Norte para Nova Iorque fui um pulo, certo? Errado. Foi preciso determinação e resiliência, mas, aos 17 anos o jovem mossoroense Júlio César tinha tudo isto de sobra e hoje tem sua marca registrada no centro do mundo.

Com estilo peculiar que une colagem e alta costura, Júlio César trabalhou nos arquivos do jornal Folha de São Paulo e Tv Cultura, onde fazia a clipagem para os dois veículos, o que viria, no futuro, a ser inspiração para a sua construção artística.

Teve passagem pela Espanha (Madrid) e Inglaterra (Londres) até se fixar em Nova Iorque, nos Estados Unidos, onde reside desde 1990, onde conheceu o estilista Koos Van Den Akker, com quem teve os primeiros contatos com a arte que hoje exerce e que o tem projetado mundo afora.

“Como as minhas fontes de inspiração sao as artes plásticas, a música, literatura, cantos, danças tradicionais brasileiras, fotografia e a sensibilidade humana em geral eu definiria minha arte como ‘moda com profundidade’ ou ‘moda com conteúdo’ para pessoas interessantes e interessadas.” Diz o estilista/artista.

Júlio estudou moda e modelagem no Fashion Institute of Tecnology (FIT), desenvolvendo sua técnica de criação com o uso de colagem em tecido e hoje tem sua própria loja no centro do sistema nervoso do mundo, em Manhattan, onde já manteve parcerias importantes como nomes da moda mundial, como Alyce Santoro, Sherry Bronfman, Lauren Hutton, Desingtex, D’addario, entre outros. Suas peças, também definidas como verdadeiras obrasde arte já foram expostas em museus, como o The New Museum e o Schaumburg Center.

Apesar do sucesso internacional, o mossoroense buscou não se distanciar de suas origens potiguares e mantém atelier e loja na capital do Estado, além de já ter realizado algumas exposições e desfiles.

Voltando no ano passado a Mossoró, Júlio foi surpreendido pela pandemia e hoje passa uma temporada em seu sítio, no município de Nísia Floresta, mas já planeja seu retorno: “Estou aqui desde o início de 2020. A pandemia afastou todos os meus clientes de Manhattan, então fui ficando aqui. Pretendo voltar para NY em setembro. Nova York reabrirá os teatros no início de setembro também. As coisas estão melhorando bastante lá por conta da vacinação em massa”.

Aos jovens que sonhadores que, iguais a ele nasceram e ainda estão na pacata rua Marechal Floriano, no bairro Paredões, em Mossoró, Júlio deixa uma mensagem suscita, porém profunda: “Vão pela sombra até onde vocês puderem ir, os sonhos são infinitos”.