A possibilidade da candidatura de Rosalba

A semana vai terminando com a política ocupando todos os espaços da mídia. O mais importante de todos os fatos foi a aceitação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Segundo Eduardo Cunha, existem oito pedidos protocolados, fato nunca visto na história política do Brasil. A presidente vai trabalhar para que esse julgamento ocorra rápido para evitar a paralisação de sua administração. A oposição caminhará em sentido contrário esticando todos os prazos para levar o debate principal para 2016. É pouco tempo, mas representa muito para quem está mergulhado em dificuldades como Dilma que continua sem mostrar habilidade nem paciência para a política. Não tem o apoio do vice-presidente Michel Temer que aconselhou-a ser mais prudente, não sendo este o momento propício para o confronto, por conta da entrevista de Dilma desafiando os opositores.

O país está pegando fogo, mas a política local é a que sensibiliza mais o eleitor mossoroense. Desde ontem, a ex-governadora Rosalba Ciarlini comemora decisão do Tribunal Superior Eleitoral que lhe restituiu os direitos políticos, ou seja, sua inelegibilidade foi revogada. Com isso, ela deverá concorrer à Prefeitura de Mossoró nas eleições do próximo ano. Sendo vitoriosa, poderá disputar depois, mais uma vez, uma cadeira ao Senado, refazendo sua trajetória anterior. Em favor desse projeto, existe a sensação dos mossoroenses da perda de espaço político importante. De um instante para outro, a cidade que teve representantes no Senado, Governo, Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa teve que se contentar com apenas um representante na Câmara Federal, o deputado Beto Rosado. Essa realidade trouxe um prejuízo incalculável a toda região.

Em todas as pesquisas de opinião pública, os resultados mostram que o atual governo municipal é o mais rejeitado da história das administrações locais. Os índices revelam desaprovação assustadora, mas o prefeito não tem sensibilidade suficiente para modificar seu modelo político-administrativo. A propaganda oficial procura projetar uma realidade diferente, mas, por falta de pagamento, os áulicos da mídia começam a abandonar seus postos. Apesar dos altos investimentos em propaganda, pagando valores acima do que se investe em atendimento à saúde, como a manutenção de uma UTI, pode-se observar que os defensores pagos estão diminuindo. Faltando menos de um ano para a eleição municipal, a experiência mostra que os governantes mal-avaliados vão ficando isolados, sendo cortejados tão-somente pelos louvaminheiros.

Rosalba voltou a Mossoró. Ainda não falou à imprensa sobre seus planos. Tudo que está sendo afirmado não passa de conjecturas. Retorna como vítima, sobretudo do seu antigo partido. Vale lembrar as críticas em relação ao seu mandato como governadora. Acontece que o seu sucessor não tem conseguido mostrar nada diferente. Quem sabe, em pouco tempo, o eleitor terá saudades do governo anterior, confirmando o dito popular que a última ferida é a que dói mais. É cedo para qualquer análise sobre o processo. Será que José Agripino que vetou sua candidatura à reeleição apoiará seu nome para prefeita? E o PMDB que tem defendido a candidatura própria, abrirá mão dessa pretensão? O governador Robinson continuará firme ao lado do prefeito, já que tem preferido se manter à distância de Francisco José? É muita coisa para observar. O processo está iniciado.