“A máquina pública é politiqueira e amadora”, diz o deputado estadual Kelps Lima

O deputado estadual Kelps Lima (SD) está se tornando um dos maiores incômodos políticos do governador Robinson Faria (PSD). É a pedra no sapato dele na Assembleia Legislativa. Nesta entrevista, ele explica a atuação no parlamento e analisa a gestão estadual e de quebra fala se vai ou não ser candidato a prefeito de Natal.

O Mossoroense: O senhor enxerga diferenças entre os estilos de Robinson Faria e Rosalba Ciarlini de governar?
Kelps Lima: Existem diferenças de estilo político, mas na base cometem o mesmo erro básico: não compreenderam as mudanças e limitações que a máquina pública sofreu com o tempo. Não existe mais espaço para politicagem. Ambos não atacaram os graves problemas estruturais no início da gestão e, tal como Rosalba pagou uma conta alta por essa omissão ao final do Governo, é provável que Robinson tenha o mesmo destino. Espero estar errado, torço para que o Estado se recupere, mas com o atual estilo do Governo, acho pouco provável.

OM: O senhor tem utilizado uma estratégia ousada de espalhar outdoors por Natal para divulgar seu voto contra o aumento de impostos sugerido pelo Governo. Por que isso?
KL: Eu precisava mostrar para toda a população que o Governo está querendo aumentar impostos e que nosso partido é contra isso.Não tenho grandes estruturas, não fiz o tradicional que é se compor com um dos dois grandes grupos políticos do Estado. Não apoio a gestão de Robinson no Governo nem a de Carlos Eduardo em Natal, sou filiado a um partido ainda em crescimento e não faço parte das famílias tradicionais do Estado. Quem tem menos dinheiro e estrutura política precisa ter mais criatividade. Os outdoors foram um sucesso, o maior indicativo disso foi o incômodo que causou ao Governo e o retorno que tive das pessoas.

OM: Essa tática ficou restrita à capital. Isso é um indicativo de que o senhor será candidato a prefeito ano que vem?
KL: Não pretendo ser candidato a prefeito de Natal e se o fosse trataria de um tema ligado à capital. Como já disse, não tenho estrutura para levar os outdoors por todo o Estado. Nesse caso usamos as redes sociais. Só com uma postagem com a arte igual ao do outdoor tivemos quase 300.000 visualizações.

“Não pretendo ser candidato a prefeito de Natal e se o fosse trataria de um tema ligado à capital. Como já disse, não tenho estrutura para levar os outdoors por todo o Estado. Nesse caso usamos as redes sociais. Só com uma postagem com a arte igual ao do outdoor tivemos quase 300.000 visualizações”

OM: Ao aprovar o ajuste fiscal na CCJ, o senhor votou a constitucionalidade da matéria. Para mim isso ficou claro. Mas o eleitor fica confuso se perguntando: “ele é a favor na comissão e é contra no plenário”. Qual a diferença dessas votações?
KL: Na comissão a apreciação é técnica. O projeto cumpre os requisitos da Constituição para ser votado no plenário? Sim, preenche. Não posso ignorar, nem fazer politicagem com a constituição. No plenário meu voto será não, e não serei o único a votar assim.

OM: Como está a organização do Solidariedade para as eleições de 2016?
KL: Estamos extremamente felizes, o partido tem crescido muito, já estamos em mais de 130 municípios.

OM: Como o senhor avalia o quadro nacional da política?
KL: Infelizmente o quadro nacional é o pior possível e isso não é bom para o país. O quadro político afeta a economia e todos estamos pagando a conta. Espero que as turbulências se encerrem o mais rápido possível.

OM: O governador Robinson Faria e o deputado Fábio Faria reagiram à sua atuação na Assembleia. Como o senhor avalia essa postura?
KL: Se o tema que eu estou defendendo e divulgando não fosse relevante ninguém estaria dando atenção. Se existem duas coisas que o eleitor detesta são: aumento de impostos e não cumprir promessas de campanha. Robinson fez os dois. Quero manter o debate no campo político, não tenho nada contra o deputado Fábio nem o governador. Sou contra aumento de impostos e eles são a favor, simples assim.

OM: O senhor apresentou 30 pontos que podem ajudar o Governo do Estado sem precisar aumentar impostos. Quais são?
São muitos, não vai dar para citar todos aqui, mas estão disponíveis em meu site: kelpslima.com.br.As propostas atacam em três eixos: diminuição da máquina pública, ferramentas de gestão para economizar recursos públicos e modernizar a gestão. Se o Governo tivesse adotado essas medidas desde o primeiro minuto de Governo não precisaria aumentar impostos.

“Não existe mais espaço para politicagem. Ambos não atacaram os graves problemas estruturais no início da gestão e, tal como Rosalba pagou uma conta alta por essa omissão ao final do Governo, é provável que Robinson tenha o mesmo destino. Espero estar errado, torço para que o Estado se recupere, mas com o atual estilo do Governo, acho pouco provável”

OM: Desde sua origem o RN está em permanente crise e dependência das ações do poder central. Como um Estado com tantas riquezas naturais e população relativamente pequena é tão complicado de se administrar?
KL: Não existe solução fácil, mas é preciso investir na cultura das pessoas, precisamos fomentar o desenvolvimento e empreendedorismo, aqui se prefere o assistencialismo. A máquina pública é politiqueira e amadora. Qualquer empresa de médio porte tem uma gestão melhor e mais moderna que o Governo do Estado. Se isso não mudar, não tem solução.É importante dizer que não adianta a sociedade ficar de braços cruzados aguardando a classe política fazer essas mudanças. O que primeiro tem de mudar é a postura da sociedade, exigindo mais dos políticos e do Estado, durante e após as eleições.

OM: Como o senhor analisa o comportamento da Assembleia em relação a Operação Dama de Espadas?
KL: Acho que tem que deixar o Ministério Público investigar, isso é importante para a democracia. Agora é necessário alinhar a questão da competência, até para não se perder a legalidade da investigação. Em relação a isso o Tribunal de Justiça deve fazer os ajustes necessários.

Bruno Barreto
Editor de Política