A internet altera agenda da imprensa

A grande mídia tem usado com perspicácia as forças e fraquezas da psicologia popular para ampliar a corrente contrária ao governo federal, multiplicando as meias verdades como verdades integrais, os preconceitos como conceitos entre outros artifícios para parecer que todo mundo é contrário ao PT e assim continuar explorando o moralismo (falsa moral) e a falsa indignação do povo.

Além da indignação, o que o atual fenômeno de espalhamento do preconceito e bestialização dos políticos junto aos brasileiros causa em parcela da população resta a necessidade de explicar do fenômeno em ambos os lados da comunicação: mídia, de um lado, e parte da população de outro. Mas primeiro deve-se ressaltar que se essa raiva fosse universal (o anti-governismo ao PT) já teria ocorrido uma guerra civil.

Moro em uma cidade pequena, de pouco mais de cinquenta mil habitantes, que é visceralmente contrária ao governo Dilma Rousseff fora umas poucas pessoas, e em segundo lugar, não me considero iluminado dentro desta comunidade. Por outro lado, a mídia pode ser brutal mas tem sensibilidade para perceber a psicologia do povo brasileiro.

Ultimamente tem sido para a mídia uma questão vital lutar contra governos de meia-esquerda, como o do PT, para sua própria sobrevivência. Mas eles estão lutando contra o “inimigo” errado. O inimigo real é o avanço da internet e a tecnologia que tem tirado aos barões da mídia seu espaço dentro da zona de conforto do capitalismo.

Mas vamos nos deter nos erros de percepção da mídia e do público leitor ou telespectador (sem falar dos ouvintes e internautas) que funcionam como agentes reacionários (no sentido de reagentes) ao estimulo dos veículos. Vamos percorrer alguns lugares comuns da psique dos leitores, telespectadores, ouvintes e internautas estimulados pela gestalt (técnica de deixar para os receptores da comunicação completarem a informação, estímulo ou preconceito deixado no ar de maneira proposital. Em cidades pequenas dá para notar vários aspectos de psicologia social, ligado ao momento político: (conjuntura política e social).

Notícia ruim…

Vamos começar com a tendência normalmente pessimista do leitor que é a sensibilidade às más notícias e é francamente natural nas pessoas influenciáveis como a parcela mais ignorante da população, independente da sua classe de renda. Isso ocorreu, por exemplo, com a atual crise econômica e o rastilho de pólvora em que se alastrou.

Falta de espírito crítico e a sensação de estar sendo informado da melhor maneira possível. Um vizinho meu representa uma boa parte da população no que se refere ao fato de receber diariamente notícias pelo Jornal Nacional que chama de o melhor jornal do mundo. Essa tendência faz com que um espectador sem crítica aceite passivamente tudo o que lhe é imposto pelo dito telejornal.

Que o mostrar-se por dentro ou íntimo de fatos ou pessoas funciona como catalizador de respeito ou de inteligência isso funciona com a fofoca para quem quer exibir-se com inteligência superior ao das outras pessoas (o que nem sempre corresponde aos fatos) mas os jornais ou telejornais também funcionam dessa forma mostrando-se mais bem informados que os da concorrência. Esse tipo de raciocínio serve semelhante aos anteriores.

O mesmo se dá com o sentimento de pertencimento a um círculo que significa a maioria. Essa característica é a que espalha boatos ou ditos fatos sobre o PT ou outro partido político com ares de verossimilhança e depois vira o “Odeio tal grupo e gostaria que todos estivessem mortos”. A correlação de forças aproveitada pela atual oposição ao governo federal usa bem este artificio.

O fato de não mudar de opinião vem a representar outra característica com que as pessoas se apegam mesmo que os fatos demonstrem que a pessoa está errada ela não muda de opinião porque considera opinião como princípio ou honra. No nosso caso qualquer coisa boa vinda do lado do governo federal é automaticamente desconsiderada.

Finalmente o sentimento superioridade de classe social que nem sempre é autêntico mas faz com que politicas publicas destinadas ao povão sejam reprovadas sem base em argumentos verdadeiros. Isto se dá com o Bolsa Família, por exemplo, que foi exaustivamente alardeado pela imprensa que agora é carne de vaca. Isso funciona também com a visão que se tem de metade da população dos governantes do PT ai se junta o preconceito machista quando se fala da “mulher” pejorativamente, referindo-se a Dilma.

Mas o que vai derrotar a indústria da imprensa familiar no Brasil, insistimos, não é qualquer regulamentação bolivariana, mas será a inexorável modificação advinda da internet. Saudemos os novos tempos.

Por: José de Macedo – jornalista e radialista
Reproduzido no Observatório da Imprensa