A história do cheque em branco…

Certamente o fato mais marcante desta semana na Câmara Municipal de Mossoró foi a rasteira dada pelos vereadores da bancada que representa os interesses da Prefeitura de Mossoró na população mossoroense, no Ministério Público e na minoria de legisladores contrários à votação que permite ao prefeito desta Macondo pedir a antecipação dos royalties do petróleo deste solo e investi-lo onde bem entender, quando quiser e se quiser.

Não é nenhuma novidade que a “Casa do Povo” vem tratando os interesses realmente da população a seu bel-prazer em detrimento aos mandados do prefeito. Mas isto já vem de longas datas, não é privilégio do agora.

O que causou náuseas na ação da última quarta é que os representantes da prefeitura (sim, da prefeitura, não do povo), haviam se comprometido com o Ministério Público em uma reunião anteriormente de que só colocaria a votação em pauta depois da realização de uma audiência pública.

A própria audiência teria sido marcada para amanhã. Tudo acordado, inclusive com os dois ou três gatos pingados da oposição, que, inocentemente, acreditaram nos seus pares, assim como o povo que os elegeram.

Ouviriam a vontade da população na audiência de amanhã, e, mesmo que esta fosse contrária, mesmo que esta fosse a tal audiência, coisa que nunca acontece, eles votariam de acordo com as vontades do Executivo. Todos sabem disto, tem sido assim, sempre. Mas eles fizeram pior.

Na tarde da última quarta, como moleques sem palavra, não honraram o compromisso firmado com o MP e com os pares oposicionistas, assim como tem feito com o povo que os elegeram.

Votaram e aprovaram em regime de urgência a antecipação dos royalties para o prefeito, sem que este diga o valor a ser solicitado, onde vai ser investido, como vai ser pago e por quem estes investimentos.
Assinaram um cheque em branco para o prefeito. Resta saber, quanto cada um levará de mais este “acordinho” vergonhoso.

Et cetera…

Recebo o livro do poeta natalense Bob Motta “Preservando o Matutês – Letras da Universidade do Roçado”. A obra é ainda um “Dicionário de Nomes e Expressões Idiomáticas Matutas” com mais de sete mil verbetes colhidos ao longo destas três edições. Poeta velho arretado, este Bob.

Não estava no roteiro ouvir “de prima” o CD “Músicas Para Roer” de Katharina Gurgel. Para minha sorte, após lhe enviar as perguntas para a nossa entrevista deste domingo a encontrei no centro de Mossoró. Ela estava a ouvir em primeira mão as primeiras faixas do disco. Asseguro: uma belezura, coisa suave, deu vontade até de tomar uma.

Registro aqui a alegria de ver um grupo teatral chegar aos 30 anos de atuação. Nos dias de hoje isto não é para qualquer um. Parabéns ao Grupo Arruaça de Teatro pela trajetória e pelo amadurecimento. Visitem a exposição que está acontecendo este mês de novembro no Sesc contando a história desta trupe.

O amigo poeta Nildo da Pedra Branca, um batalhador em todas as frentes, abriu agora um espetinho na sua comunidade. Pedra Branca, para quem não sabe onde fica, é a primeira comunidade ao lado esquerdo da BR-405, saída para Apodi. Fica a uns 3 a 4 quilômetros de Mossoró. Vale a pena a visita.