A casa de Jeremias

Caio César Muniz

“Se você me perguntar

Por onde andei

No tempo em que você sonhava,

De olhos abertos lhe direi,

Amigo, eu me desesperava”.

(Belchior)

 

O jornalismo que habita em mim, saúda o jornalismo que habita em você. A casa de Jeremias da Rocha Nogueira foi escola para muita gente, muito antes do nosso curso de jornalismo na Universidade Federal do Estado do Rio Grande do Norte.

Eu sou cria desta escola, tanto pela divulgação dos meus primeiros versos, como pelo amadurecimento da minha escrita para a prosa e para discorrer matérias factuais.

Foi aqui, neste velho O Mossoroense de Guerrinha e de Vovô, que eu nasci para o mundo enquanto poeta. Foi aqui também que irresponsavelmente, Cid me entregou a editoria de cultura do impresso que faz tanta falta, mas que temos que nos adaptar a não mais vê-lo e tê-lo às mãos.

Por conta d’O Mossoroense, senti a necessidade de ir atrás do conhecimento acadêmico, também depois de muito brigar, acho que por inveja minha, com meu irmão mais novo, Stênio, formado primeiro do que eu. A UERN me abrigou e me deu um diploma. Tá lá em casa, numa gaveta, mas se eu pudesse, andava com ele pendurado no pescoço.

Nos bancos da universidade pública encontrei vários colegas do mesmo jornalismo que eu praticava sem saber o que era, eles professores: William Robson, Izaíra Thalita, Esdras Marchezan, Tobias Queiroz, Dayane Dantas, Moisés Albuquerque…

Também gente que me lia e eu nem sabia: Marcília Gomes, Ricardo Silveira, Fabiano Moraes e o roqueiro, poeta e professor, Giovanni Rodrigues.

Fui convocado de novo por Cid Augusto para ser soldado do jornalismo nesta casa, principalmente no momento em que ela passa por reformas significativas, não tive como dizer não. Estarei aqui, aprendendo mais e mais, como aluno regular que sou. Dando a contribuição que puder, com gratidão e carinho.