sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026
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Papa Francisco: “Para nós, crentes, a irmã água não é uma mercadoria”

O Dia Mundial da Água é comemorado em 22 de março. Unidos ao clamor do Papa Francisco e como Rede Eclesial Pan-Amazônica e Conferência Eclesial da Amazônia, devemos continuar juntos a defender e cuidar de nossa “irmã água”.

Padre Julio Caldeira, Comunicação REPAM

Dia 21 de março, durante a oração dominical do Angelus, o Papa Francisco, recordando a celebração do Dia Mundial da Água, reafirmou que somos convidados a “refletir sobre o valor deste maravilhoso e insubstituível dom de Deus. Para nós crentes, a ‘irmã água’ não é uma mercadoria: é um símbolo universal e uma fonte de vida e saúde”.

Com sua visão universal, denunciou que “muitos irmãos e irmãs, têm acesso a pouca água e, muitas vezes, poluída!”, e que é um compromisso indispensável “garantir a água potável e serviços higiênicos para todos”.

Francisco agradeceu a todos aqueles que contribuem para conscientizar sobre a importância e o compromisso em cuidar da água: “Eu agradeço e encorajo aqueles que, com diferentes competências e responsabilidades profissionais, trabalham para esta finalidade tão importante”.

Finalmente, o papa reconheceu o exemplo da Universidade da Água, na Argentina, presidida por seu amigo, o educador e antropólogo judeu Luis Liberman, “naqueles que trabalham para levá-la adiante e fazer as pessoas entenderem a importância da água. Muito obrigado aos argentinos que trabalham nesta Universidade da Água”.

Direito à água

No evento “Do Direito à Água ao Direito à Esperança” realizado em outubro de 2020 pelo Instituto para o Diálogo Global e a Cultura do Encontro, fundado e dirigido por Luis Liberman, o Cardeal Cláudio Hummes, presidente da Conferência Eclesial da Amazônia, CEAMA, lembrou que a importância da água foi reconhecida no Sínodo para a Amazônia, recordando o que diz Laudato Si: “ela é indispensável para a vida humana e para a manutenção dos ecossistemas terrestres e aquáticos”. De fato, “a escassez de água potável é uma ameaça crescente em todo o planeta”.

Hummes defende a necessidade de “uma política compassiva e sã, que seja capaz de liderar as mudanças substantivas que o planeta precisa”, que gere uma sociedade de “próximos”. Junto com isto, deve ser promovida uma pedagogia de cuidado, que ajude a curar a terra ferida. Ele destaca a REPAM (Rede Eclesial Pan-Amazônica) como “uma discípula que aprende de todas as vozes e propõe o encontro, a cooperação e a solidariedade”, que agora se une com a CEAMA, buscando criar a cultura do encontro, superando a cultura do descarte e a globalização da indiferença. O desafio é “caminhar juntos, como irmãos e irmãs, respeitando nossas diferenças, construindo no diálogo os caminhos substantivos para concretizar os direitos humanos para todos”.

Bacia Amazônica

O Documento Final do Sínodo destaca o grande bioma amazônico em seu potencial aquífero, que possui cerca de 20% da água doce não congelada do mundo, onde “a água, a fonte da vida, tem um rico significado simbólico. Na região amazônica, o ciclo da água é o eixo de conexão. Conecta ecossistemas, culturas e o desenvolvimento do território (DF, 7). Na mesma linha, Querida Amazônia lembra que “na Amazônia, a água é a rainha, os rios e córregos lembram veias, e todas as formas de vida brotam dela” (QA, 43).

Por outro lado, se vê que este bioma sofre com a degradação, conseqüência do desmatamento, garimpo, exploração petroleira, pecuária, contaminação da água e tantos projetos extrativistas que só destroem. O diagnóstico feito mostra que “a Amazônia hoje é uma beleza ferida e deformada, um lugar de dor e violência. Os ataques à natureza têm consequências negativas na vida dos povos. Essa crise socioam- biental sem igual foi retratada na escuta pré-sinodal, que apontava as seguintes ameaças à vida: apropriação e privatização de ativos naturais, como a própria água” (DF, 10), que trazem consigo graves conseqüências sociais, como são as doenças derivadas da poluição, por exemplo, onde “vítimas são os setores mais vulneráveis: crianças, jovens, mulheres e, a nossa irmã, a Mãe Terra” (DF, 10).

Em Querida Amazônia, o Papa Francisco enfatiza que “quando algumas empresas sedentas de lucro fácil se apropriam dos terrenos, chegando a privatizar até a água potável, ou quando as autoridades deixam caminho livre a madeireiros, a projetos minerários ou petrolíferos e outras atividades que devastam as florestas e contaminam o ambiente, transformam-se indevidamente as relações econômicas e tornam-se um instrumento que mata” (QA, 14).

Assim, sendo a água uma das grandes riquezas e preocupações da Amazônia, como membros deste caminho eclesial na Amazônia, como REPAM e CEAMA, somos convidados a nos unirmos para defender e cuidar de nossa “irmã água”.

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