quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026
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Pau dos Ferros tem dois casos de Calazar humano confirmados

Principal cidade do Alto Oeste do Rio Grande do Norte, Pau dos Ferros corre o risco de enfrentar uma epidemia de Calazar. Em menos de um mês foram registrados dois casos de infecção da doença em humanos, e extra oficialmente, há pelo menos mais um caso suspeito em investigação.

Os casos foram confirmados pela secretaria de saúde do município, que encaminha uma ação integrada para impedir o alastramento da doença. Segundo a secretaria, o primeiro caso foi confirmado no fim do mês de julho e envolve uma adolescente de 16 anos de idade. O segundo caso foi confirmado no início do mês de agosto.

A secretaria destaca que a partir da suspeita de que animais estavam contaminados foi iniciada uma operação de identificação, e teste, que confirmou casos de Calazar, e de uma outra virose, que tem atingindo principalmente animais de rua.

Segundo a secretaria foi feito um acordo com o Ministério Público para capturar os animais de rua e transferi-los para um canil instalado em Apodi.

O município esta trabalhando na captura, teste rápido, e encaminhamento dos animais para Apodi, e os doentes para tratamento. A partir da notificação do primeiro caso de Calazar humano no município, o Governo do Estado teria a responsabilidade de encaminhar veneno ser aplicado via carro fumacê em caráter de urgência.

A iniciativa visa controlar o grande número de mosquitos que transmitem a doença entre os animais, e dos animais para os humanos.

Foram identificados animais contaminados em praticamente todos os setores da cidade. Além de cães, testes já confirmaram a contaminação em gatos, ampliando o risco de contaminação de humanos.

 

– Calazar é a segunda doença parasitária que mais mata no mundo

A leishmaniose visceral (VL), também conhecida como Calazar é a forma mais grave da leishmaniose, sendo a segunda doença parasitária que mais mata no mundo (apenas a malária é mais mortal). Assim como a doença de Chagas e a doença do sono, o Calazar é uma das doenças tropicais negligenciadas (DTNs) mais perigosas, que, se não for tratada, chega a ser fatal em mais de 95% dos casos

O calazar é endêmico em 47 países e aproximadamente 200 milhões de pessoas correm o risco de serem infectadas. É altamente endêmica no subcontinente indiano e no leste da África. Estima-se que 200 a 400 mil novos casos de VL ocorram anualmente no mundo. Mais de 90% dos novos casos ocorrem em 6 países: Bangladesh, Brasil, Etiópia, Índia, Sudão do Sul e Sudão.

 

O que causa o calazar?

A leishmaniose é causada pelo protozoário parasita Leishmania que é transmitido pela picada de mosquitos infectados. O parasita ataca o sistema imunológico e, meses após a infecção inicial, a doença pode evoluir para uma forma visceral mais grave, que é quase sempre fatal se não for tratada.

A doença afeta algumas das pessoas mais pobres do mundo e está associada à desnutrição, deslocamento de população, condições precárias de habitação, um sistema imunológico fraco e falta de recursos financeiros. A Leishmaniose, em geral, também está ligada a mudanças ambientais como o desmatamento, construção de barragens, sistemas de irrigação e urbanização.

Inicialmente, os parasitas da leishmaniose causam feridas no local da picada do mosquito. A doença, quando progride, se manifesta de dois a oito meses após a infecção com e se caracteriza por acessos irregulares de febre, perda de peso, fraqueza, aumento do baço e do fígado, e anemia.

Casos suspeitos devem ser encaminhados imediatamente à secretaria de saúde do município para que as providências possam ser tomadas.

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