Em entrevista concedida à jornalista Daniela Lima, do UOL, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou o avanço das investigações sobre irregularidades no INSS e afirmou que o próprio governo estimulou a apuração dos fatos, inclusive defendendo a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).
Segundo Lula, as investigações tiveram início após a identificação de um esquema criminoso estruturado ainda no governo anterior, envolvendo uma quadrilha que atuava dentro do INSS. A descoberta, de acordo com o presidente, ocorreu a partir de levantamentos realizados pela Advocacia-Geral da União (AGU), pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU).
O presidente afirmou que, ao tomar conhecimento da fraude, defendeu internamente que o próprio governo solicitasse a abertura de uma CPI para investigar o caso. “Eu dizia que seria a primeira vez na história que um governo pediria uma CPI para investigar uma quadrilha instalada dentro do próprio Estado”, relatou. Apesar de resistências iniciais dentro da base aliada, a comissão acabou sendo instalada.
Lula reforçou que a orientação do governo é clara: não haverá interferência ou proteção política. “Investigue tudo o que tiver que investigar”, declarou. O presidente também comentou o fato de o nome de seu filho ter sido citado no contexto das apurações. Segundo ele, a postura adotada foi a mesma que defende para qualquer cidadão.
“Chamei meu filho para conversar, olhei no olho dele e disse: só você sabe a verdade. Se tiver alguma coisa errada, vai pagar o preço. Se não tiver, que se defenda”, afirmou.
A declaração busca reforçar o discurso de que o governo não fará distinção entre aliados, adversários ou familiares quando se trata de investigações, e que o enfrentamento à corrupção deve ocorrer com transparência e rigor institucional.




