O Rio Grande do Norte segue como um dos principais protagonistas da transição energética no Brasil. Em 2025, o estado manteve uma matriz elétrica fortemente baseada em fontes renováveis, que representaram 99% da potência outorgada e 98,14% da potência instalada, segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), consolidados no Balanço do Setor Elétrico do RN – Ano Base 2025, elaborado pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico, da Ciência, da Tecnologia e da Inovação (SEDEC), por meio da Coordenadoria de Desenvolvimento Energético (CODER).
Com 12,4 GW de potência instalada, o estado mantém predominância das fontes eólica e solar fotovoltaica, que juntas respondem por 97,61% da capacidade em operação. A energia eólica segue como principal vetor da matriz elétrica potiguar, concentrando 85,34% da potência instalada, enquanto a solar fotovoltaica alcançou 12,27%, reforçando o processo de diversificação da geração de energia no estado.
Expansão com ajuste de ritmo e avanço da energia solar
Em 2025, entraram em operação 10 novos parques eólicos, que adicionaram 552,6 MW à matriz estadual. Embora o número represente um ritmo mais moderado em relação a 2023 e 2024, o cenário reflete um período de acomodação do setor, influenciado por desafios estruturais como limitações na infraestrutura de transmissão, restrições operacionais (curtailment) e um ambiente de sobreoferta de energia renovável frente a uma demanda que cresce de forma mais gradual.
Em contrapartida, a energia solar fotovoltaica manteve trajetória de crescimento, com a entrada em operação de 12 novas usinas, totalizando 294,9 MW adicionais em 2025. Os municípios de Açu e Santana do Matos se destacaram com o maior número de empreendimentos solares implantados no período, consolidando novas frentes de investimento no interior do estado.
Esse movimento indica uma transição gradual no perfil dos novos empreendimentos, com a fonte solar ganhando maior protagonismo, enquanto a eólica passa por uma fase de estabilização após anos de forte expansão.
Investimentos somam R$ 5,5 bilhões e reforçam impacto econômico do setor
Os investimentos estimados em novos projetos eólicos e solares no Rio Grande do Norte somaram R$ 5,5 bilhões em 2025, sendo R$ 4,4 bilhões destinados à fonte eólica e R$ 1,1 bilhão à solar fotovoltaica. Apesar de uma retração em relação a 2024, o setor manteve sua relevância econômica e, no acumulado entre 2022 e 2025, os aportes ultrapassaram R$ 36,6 bilhões, consolidando o RN como um dos principais destinos de investimentos em energias renováveis no país
A energia eólica respondeu por aproximadamente 80% de todo o volume investido em geração elétrica no estado em 2025, enquanto a solar vem ampliando sua participação de forma consistente, especialmente a partir de 2024.
Geração de empregos e impacto regional
Além da contribuição para a sustentabilidade energética, o setor também teve impacto direto na geração de empregos. Em 2025, a implantação de usinas eólicas foi responsável pela criação de 5.917 postos de trabalho, entre empregos diretos e indiretos. Já os empreendimentos solares geraram 3.449 empregos, com destaque para as fases de obras civis, montagem eletromecânica e instalações elétricas.
Os efeitos positivos se estenderam às economias locais, especialmente nos municípios que receberam os empreendimentos, com fortalecimento de cadeias como alimentação, hospedagem e serviços.
Perspectivas indicam continuidade da expansão
As projeções para os próximos anos indicam continuidade da expansão do setor elétrico no Rio Grande do Norte. Até 2031, está prevista a entrada em operação de novos projetos eólicos que podem adicionar cerca de 1,81 GW à capacidade instalada. Já a energia solar fotovoltaica apresenta um horizonte ainda mais robusto, com previsão de 7,88 GW adicionais até 2038, condicionados à ampliação da infraestrutura de transmissão e à mitigação dos cortes de geração.
Para a SEDEC, os dados reforçam a posição estratégica do Rio Grande do Norte no cenário energético nacional e evidenciam a necessidade de avanços estruturais para sustentar o crescimento do setor, garantindo segurança energética, atração de investimentos e desenvolvimento econômico sustentável.




