terça-feira, 3 de fevereiro de 2026
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Allyson adquiriu quase 8 milhões de comprimidos para pressão alta

Com informações de Carol Ribeiro – Diário do RN

Levantamento com base em dados do Portal da Transparência aponta que a Prefeitura de Mossoró adquiriu, ao longo de 2025, aproximadamente 8 milhões de comprimidos de medicamentos utilizados no tratamento da hipertensão arterial. O volume se refere exclusivamente à quantidade física de unidades adquiridas, e não ao valor financeiro das compras realizadas pelo Município. A compra elevada de medicamentos e a entrega incipiente ou até a não entrega dos produtos é uma das bases da investigação da Polícia Federal, que deflagou a operação Mederi na casa do prefeito Allyson Bezerra (UB), entre outras prefeituras, na última terça-feira (27).

Os medicamentos incluem atenolol, losartana, enalapril, captopril, hidroclorotiazida e anlodipino, todos amplamente utilizados na rede pública de saúde para o controle da pressão arterial. A soma dos quantitativos registrados totaliza 7.588.000 unidades de comprimidos. A apuração é do Diário do RN com base no Portal da Transparência do Município de Mossoró.

Os medicamentos adquiridos pela Prefeitura, além disso, são fornecidos gratuitamente pelo Governo Federal através do programa Farmácia Popular, bastando apresentar a receita médica.

O volume adquirido representa uma média superior a 20 mil comprimidos por dia ao longo do ano. Em uma estimativa simplificada, considerando o uso de um comprimido por paciente ao dia, esse montante poderia atender cerca de 20 mil pessoas de forma contínua. Há que se ressaltar, no entanto, que, na prática, muitos pacientes fazem uso combinado de dois ou mais medicamentos.
De acordo com os registros públicos, os medicamentos foram fornecidos pela DISMED Distribuidora, empresa contratada para o abastecimento da rede municipal de saúde. A distribuidora teve seu nome citado recentemente na operação da Polícia Federal, deflagrada em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), que apura contratos administrativos na área da saúde em municípios do Rio Grande do Norte, incluindo Mossoró, na gestão Allyson Bezerra.

Nos autos que embasaram a operação, a Polícia Federal descreve a existência de práticas classificadas como “faturamento fantasma”, caracterizadas pelo “pagamento sem entrega” ou pela entrega de produtos em quantidade incompatível com os valores pagos. Segundo a PF, em determinados contratos investigados, a administração pública realizava “o empenho, a liquidação e o pagamento integral das notas fiscais, mas os produtos não eram entregues ou eram entregues em quantidades irrisórias”.

Ainda de acordo com a investigação, esse tipo de prática teria ocorrido paralelamente a falhas recorrentes no abastecimento da rede pública de saúde, mesmo diante do aumento significativo dos volumes contratados e pagos. A Polícia Federal também aponta indícios de fornecimento inadequado, falhas na execução contratual e possíveis sobrepreços, elementos que motivaram o cumprimento de mandados de busca e apreensão, inclusive na residência do prefeito de Mossoró.

As investigações seguem em andamento e, até o momento, não há ação ou decisão judicial definitiva sobre a responsabilidade dos envolvidos. Os dados levantados, no entanto, integram o conjunto de informações analisadas pelos órgãos de controle no curso da apuração.

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