sexta-feira, 30 de janeiro de 2026
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Alckmin à RFI: ‘Brasil e Índia têm tudo para ampliar comércio e cooperação’

Por Vivian Oswald, RFI

Vivian Oswald, correspondente da RFI em Brasília

À RFI Brasil, Alckmin, que também acumula a pasta do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, destacou oportunidades no Complexo Industrial da Saúde, em especial, medicamentos — a Índia é um dos maiores produtores de genéricos do mundo, de biocombustíveis e SAF, a sigla em inglês para o combustível sustentável para a aviação. O vice-presidente também ressaltou os setores de aeronáutica, com a iminência de a Embraer abrir um escritório na capital indiana, defesa e tecnologia. Segundo Alckmin, a Câmara de Comércio Exterior, a Camex, aprovou a possibilidade de negociar a ampliação das linhas tarifárias com a Índia. Hoje, existem apenas 450 de cada lado.

Em 2014, o comércio bilateral bateu os US$ 11,5 bilhões. No ano passado, uma década depois, ainda não chegava a US$ 12 bilhões.

Esta é a quarta missão comercial comandada por Alckmin, depois de China, Arábia Saudita e México, antes de uma visita de Estado do presidente Lula.

RFI: Bom dia, presidente, o senhor acha que o contexto geopolítico e o fato de Brasil e Índia terem recebido as tarifas mais altas aplicadas pelos EUA, de 50%, aproximam os dois países? De que forma?

Geraldo Alckmin: Eu estou indo à Índia com o espírito de abrir mercado e aumentar o comércio. Nós podemos ter muita complementariedade econômica, investimentos recíprocos. A Índia é o país mais populoso do mundo, uma grande economia, das maiores economias do mundo. O Brasil é a maior economia da América Latina. Este ano, de janeiro a maio, nossas exportações para a Índia cresceram quase 15%, e as importações, mais de 31%. Então nós temos aí um comércio exterior em forte crescimento e vamos também preparar a viagem do presidente Lula à Índia, prevista para fevereiro do ano que vem.

RFI: Há apenas 450 linhas tarifárias de lado a lado, o que é considerado muito pouco para dois países do tamanho de Brasil e Índia. Onde há chances de aumento do comércio? Em medicamentos, eles são grandes produtores de genéricos, etanol, o programa da Índia tem crescido, assim como a mistura na gasolina, e petróleo. Por que eles importam muito da Rússia e somente 1% do Brasil?

G.A.: Olha, a Câmara de Comércio Exterior (Camex), ela aprovou a possibilidade de negociar a ampliação das linhas tarifárias com a Índia. Então, nós queremos aumentar o livre comércio. Nós temos mais áreas onde a gente possa chegar ao livre comércio. Áreas importantes de cooperação com grande potencial. Uma que eu destacaria é o Complexo Industrial da Saúde, especialmente o farmacêutico, que a Índia tem uma indústria farmacêutica muito avançada. Então, a cooperação em saúde é estratégica. A outra é biocombustíveis. Aliás, a produção de SAF (Sustainable Aviation Fuel), tem três países que têm um enorme potencial. Brasil, Índia e Estados Unidos. São os três que podem ser os campeões na produção do SAF, do combustível sustentável da aviação. A Índia está estabelecendo uma meta de 20% de etanol na gasolina. O Brasil já tem 30% de etanol na gasolina. E temos 15% de bio no diesel. Então temos um enorme potencial em biocombustíveis.

RFI: Que outros setores oferecem oportunidades para novos negócios, presidente?

G.A.: Também na área de defesa. Tem uma possibilidade boa de ampliação. Tecnologia. Enfim, o setor do agro é um setor importantíssimo, tem inúmeras oportunidades para fortalecermos o nosso comércio exterior e investimentos.

RFI: E que acordos podem sair desta missão empresarial?

G.A.: Olha, a Embraer, por exemplo, vai inaugurar seu escritório em Nova Déli. Então, nós podemos ter um avanço importante na área de cooperação na indústria aeronáutica. Deve ir conosco o ministro da Defesa José Múcio. Então, nós poderemos avançar na indústria da defesa. O agro, nós temos enormes oportunidades na área do agro, proteína animal e vegetal e agroindústria. E também a energia. O Brasil é o campeão de energia renovável. Está entre os três maiores produtores de energia renovável do mundo, na área industrial. Data centers, na área de serviços digitais.

RFI: A missão terá representantes de todos esses setores, presidente?

G.A.: Estão indo conosco, inúmeros empresários e entidades do setor empresarial. Então, nós teremos encontro de governo, da área governamental, vários ministros, presidentes de empresa e uma grande delegação do setor privado, que vai se encontrar também com a iniciativa privada da Índia. Então, eu diria que é uma missão de trabalho para abrir comércio, investimentos e geração de emprego em ambos os países.

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