quinta-feira, 29 de janeiro de 2026
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Joyce Moura: A era dos políticos narcisistas e como o ego fala mais alto que o bem comum

 

Vivemos tempos em que o ego de certos políticos se tornou maior que suas propostas, suas responsabilidades e, principalmente, maior que o povo que deveriam representar. São figuras públicas que parecem ter se esquecido da função primordial da política: servir à coletividade. Em vez disso, utilizam o cargo para alimentar sua vaidade, sustentar narrativas de grandeza e protagonizar disputas absurdas que mais parecem brigas de pátio escolar do que embates em prol do interesse público.

 

É nesse cenário que o mito de Narciso, da mitologia grega, se torna um espelho perfeito da nossa realidade. Narciso era tão encantado por sua própria beleza que desprezou todos à sua volta. Ao ver seu reflexo na água, se apaixonou por si mesmo e ficou ali, paralisado, admirando a própria imagem, até morrer de sede e fome. Um fim trágico para quem acreditava ser tão superior a todos os outros.

 

Nos dias de hoje, temos políticos que fazem o mesmo: se apaixonam por suas próprias narrativas, vivem em função de curtidas, manchetes e enquetes nas redes sociais. Lutam por taxações, desonerações, vetos e decretos não com base no que é melhor para o povo, mas com o objetivo de garantir a próxima foto, o próximo vídeo viral, a próxima glória pessoal. Disputam títulos como quem diz: “Eu sou o melhor, ninguém me vence”, mesmo que isso signifique tornar alimentos mais caros, travar guerras institucionais inúteis ou ignorar os problemas reais das pessoas, como a inclusão de pessoas com deficiência em políticas públicas que os beneficiem de verdade.

 

Esses “narcisos do poder” não se importam com a fome, com a dor ou com a realidade dura da maioria. Estão presos à imagem que constroem de si mesmos, e acabam tão obcecados por aplausos que não percebem que, como o personagem do mito, estão à beira da própria ruína – e levando muitos junto com eles.

 

É tempo de retomar a política como instrumento de transformação coletiva, e não como espelho para vaidades individuais. Que possamos reconhecer e afastar os narcisos do poder, antes que eles nos levem à mesma fonte seca onde o ego, e não o povo, é prioridade.

Por Joyce Moura – jornalista

@joycemourarealize

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