O cenário político do Rio Grande do Norte começou a se mexer antes da largada oficial da eleição. Em entrevista recente a uma rádio de Natal, o secretário da Fazenda, Cadu Xavier, falou abertamente sobre dois temas que até pouco tempo eram tratados só nos bastidores: a possibilidade de eleição indireta para o governo do Estado e a sua pré-candidatura ao cargo de governador.
Ou seja, o debate saiu da sala fechada e foi para o microfone. E quando isso acontece, não é por acaso: é porque a política já está em movimento.
O discurso de Cadu Xavier é estratégico. Ele deixa claro que, na visão do grupo governista, o governo deve permanecer nas mãos do PT, já que a governadora foi eleita pelo partido e o vice pelo MDB. Ao se colocar como “nome natural”, ele tenta construir duas imagens ao mesmo tempo: a de continuidade política e a de legitimidade institucional.
Mas chama atenção a forma como ele trata a eleição indireta como uma espécie de batalha matemática: “vamos contar voto na Assembleia”. Isso revela que a disputa não é só eleitoral, é parlamentar, é de bastidor, é de articulação política pesada.
Outro ponto relevante é quando ele afirma que entregar o governo à oposição durante o processo eleitoral seria prejudicial. Aqui, a leitura é institucional: o grupo entende que manter a coerência administrativa evita descontinuidade, insegurança e paralisia decisória num momento estratégico para o Estado, o que não fez o vice-governador Walter Alves.
E isso traz um desafio importante: como equilibrar gestão e campanha?
Porque o risco é claro: quando a política eleitoral toma o centro da cena, a administração pode virar coadjuvante.
O que a população espera é simples: que o governo continue governando, resolvendo problemas reais, saúde, segurança, educação, estradas, sem transformar cada movimento institucional em peça de xadrez eleitoral..
A entrevista não é administrativa, é política. Cadu Xavier não falou como secretário da Fazenda, falou como pré-candidato sinal de que o governo decidiu organizar sua sucessão de forma pública, antecipada e planejada algo que a oposição já vem fazendo há tempos.
A diferença é que agora o governo entra no debate com discurso de continuidade, previsibilidade e controle institucional. E, para o eleitor, isso é importante, saber quem está se colocando, por quê, e com que projeto.:.
Por Joyce Moura – jornalista




