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Home Universo Entrevista Janigleison Herculano Alves

Janigleison Herculano Alves

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gleison_tibauAos 28 anos, natural de Mossoró, Gleison Tibau (apelido que o acompanha desde jovem, e que recebeu devido ao fato de ter sido criado na cidade-praia) é hoje um dos principais nomes brasileiros no Ultimate Fighting Championship (UFC), competição internacional que vem ganhando destaque em todo o mundo.
O mossoroense comemora os recentes resultados alcançados em um ano onde venceu as três lutas que disputou, fato inédito até então. Gleison Tibau derrotou o norte-americano Kurt Pellegrino em março, aplicou um mata-leão para vencer o pernambucano Rafaello "Trator" Oliveira, e no dia 19 de novembro, na sua última exibição, superou o carioca Rafael dos Anjos, em decisão dos árbitros.
Nesta entrevista do caderno Universo, o lutador revela como surgiu o interesse pelo esporte e destaca como superou os obstáculos existentes no início de sua carreira, entre outros pontos. Acompanhe. 

Por Adriana Morais / Maricelio Almeida

O Mossoroense: Como teve início a sua carreira? Como surgiu o seu gosto por esse esporte?
Gleison Tibau:
Eu comecei nas artes marciais. Eu tinha 11 anos quando vi o filme "Dragão Branco", com Van Damme, então, vendo aquelas lutas, despertou o meu interesse. Eu achei muito interessante e falei: Vou querer ser isso aí, vou ser lutador. Na época, em Tibau não havia estrutura de nada, e quando disse que iria ser lutador muita gente ficou assustada, algumas pessoas riram de mim, e eu fiquei pensando como fazer para me tornar um profissional da luta. Eu lembro que naquele período, eu ia de ônibus estudantil de Tibau para Mossoró, onde comecei a treinar no MMA (sigla em inglês que significa Mixed Martial Arts, ou Artes Marciais Misturadas) com um professor da Suécia, que foi um dos pioneiros do esporte aqui no Rio Grande do Norte.

OM: Quando o esporte se tornou profissional para você?
GT:
Com 15 anos, participei da minha primeira luta profissional em Mossoró. Quando viram o meu desempenho disseram que eu tinha talento, que tinha tudo para crescer. Depois disso vim morar em Mossoró, em uma academia. Passei grande parte da minha adolescência morando em academia e treinando sempre sonhando em um dia ser um grande campeão. A esperança nunca acabava, isso tudo sem renda nenhuma, pois vim de uma família humilde e não tinha patrocínio, foi bem complicado para mim. Houve fases em que era difícil até ter o que comer, quando o esporte não era valorizado como hoje, quando era considerado violento. Comecei lutando no interior, depois de bons resultados fui morar em Natal, já com uma estrutura melhor, e na sequência lutei em capitais como Fortaleza, João Pessoa, Salvador, Recife.

OM: A participação em competições internacionais foi iniciada de que forma?
GT:
Depois de lutar pelo Nordeste, fui morar no Rio, treinar lá, e com 19 anos participei da minha primeira luta internacional, no Japão, foi quando tudo melhorou. Em seguida voltei ao Brasil e lutei no maior evento de MMA no Brasil, tido como um dos maiores do mundo, o Meca World, onde ganhei a competição e fui considerado o melhor lutador do país. Aí passei a ser mais respeitado. Fui para a Europa, onde passei três anos, e nessa época os cachês foram valorizados, dava para se manter com o dinheiro da luta, mas sempre voltava para o Brasil. Só que aqui não tinha mais adversários, foi quando entrei em contato com uma equipe dos Estados Unidos, que já conhecia a minha história, e contei a situação que eu vivia no momento, que no Brasil não havia competidores para mim, e que eu queria explodir para o mundo. Eles decidiram apostar em mim e disseram que eu podia ir para lá.

OM: E essa temporada nos Estados Unidos foi positiva?
GT:
Lá assinei um contrato com a equipe e após um mês de treinamento eles me informaram que eu estava dentro do UFC (Ultimate Fighting Championship). Aquilo foi um choque para mim, porque era meu sonho. Naquela época o UFC não era o maior evento do esporte, era top, mas não como hoje. Eu fiquei muito feliz com a proposta, empolgado, mas eu queria participar do Pride, maior competição do momento. Então aceitei a proposta, e cresci junto com o UFC.

OM: Hoje você é o brasileiro com mais lutas no UFC. Como você se sente diante desse resultado?
GT:
Sou o brasileiro mais veterano na competição e ao mesmo tempo o mais novo, o que é muito legal para minha carreira. Estou há sete anos no UFC e há seis anos moro em Miami.

OM: E por que você escolheu o MMA, entre as lutas desenvolvidas nas artes marciais?
GT:
Por ser mais empolgante, onde você luta em pé, você derruba o adversário, faz jiu-jítsu. No MMA, você junta todas as artes marciais em uma só, pois se luta muay-thai, boxe. Só um desses esportes não me interessava.

OM: Ao longo de sua trajetória, quantas vitórias você já conquistou?
GT:
Hoje eu tenho 47 lutas e 7 derrotas. O MMA é um esporte onde não existe premiação, que só é dada ao campeão do UFC, considerado o campeão mundial. No UFC tenho 15 lutas, com 10 vitórias e cinco derrotas. Eu estou cotado para lutar em 2012 com o campeão Frankie Edgar, que vai disputar agora com outro adversário, e se mantiver o título lutarei com ele. Este ano lutei com três americanos e dois brasileiros. Minha próxima luta ainda não está marcada, e não tenho noção nem de data nem de adversário.

OM: Quais são as vantagens que você elencaria devido a divulgação que o UFC vem ganhando na mídia brasileira?
GT:
Hoje a mídia está de portas abertas para esse esporte, o que torna bem mais fácil. Aqui no Brasil mesmo há muitos eventos, com estrutura melhor para treinos, com academias mais estruturadas, com mais patrocinadores. Qualquer criança que hoje queira seguir essa profissão verá que esse é o esporte do futuro, que está em crescimento. Nos Estados Unidos é febre, aqui no Brasil essa tendência também está sendo seguida.

OM: Então há possibilidade de outros jovens de Mossoró, Gleison, adotarem esse esporte e seguirem essa carreira?
GT:
Com certeza. Mossoró tem muito potencial, conheço vários atletas que estão se destacando em eventos nacionais e têm tudo para ganhar espaço em qualquer evento do mundo, é só querer, e ter foco, disciplina, colocar na cabeça que quer ser campeão. Hoje o campo está aberto, é fácil para chegar lá.

OM: Quanto ao patrocínio, também existe facilidade ou ainda é uma barreira que precisa ser vencida?
GT:
É muito relativo. Aqui no Brasil, por exemplo, eu não tenho patrocínio hoje porque aqui as empresas estão querendo patrocinar, mas não oferecem os valores que os atletas merecem. Elas preferem patrocinar lutadores que participam de competições nacionais porque é um investimento menor. É preciso que seja ampliada a visão das empresas para esse esporte que está crescendo muito.

OM: Para finalizar, qual conselho você daria para os jovens que desejam seguir esse esporte?
GT:
Quando eu era jovem, eu tinha um sonho e apostei todas as minhas fichas nesse sonho, apesar de todas as dificuldades, todos os obstáculos. O mais importante é ter força de vontade, coragem e dedicação, elementos fundamentais, além de nunca deixar sua carreira de mão, e acreditar que vai chegar lá.

 

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