quarta-feira , 21 de agosto de 2019
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Tireoide – Há uma epidemia de casos?

25 de maio – dia internacional da tireóide
Hospital Moriah
Há uma epidemia de casos?
Sim, parece que boa parte da população agora tem problemas com essa glândula que regula o nosso metabolismo, que é a maneira como o corpo usa e armazena energia. Mas não há uma epidemia de tumores de tireoide, mas sim uma “epidemia” de diagnósticos.

Para alguns, a alimentação moderna tem fator preponderante nesse aumento de casos, e embora a comida com iodo (como peixes, frutos do mar, sal) possa influenciar a função tireoidiana e a soja possa bloquear essa função, notadamente não é a alimentação do dia a dia. Para esse efeito, o ser humano deveria ter um desequilíbrio na ingestão de um desses itens.

Tudo leva a crer que o diagnóstico de nódulos aumentou no mundo todo – e consequentemente os tratamentos. Entre 2008 e 2015 o gasto com tratamentos no Brasil foi incrementado em R$ 230 milhões. Isso porque temos mais acesso à ultrassonografia, especialmente nos grandes centros.

Um estudo revelou que, na Coreia do Sul, ao incluírem o ultrassom como exame de rotina, houve a constatação de uma real epidemia de tumores de tireoide. Entretanto, o fato de detectar precocemente o nódulo não trouxe nenhum movimento de diminuição da mortalidade por câncer de tireoide. Logo, o sistema de saúde estava gastando dinheiro e energia – além de imputar stress para os pacientes – desnecessariamente.

Somente a punção da glândula – feita por uma agulha finíssima – pode identificar se um nódulo é maligno ou não, após a microscópica porção retirada ir para a análise patológica, e essa indicação só deve ser feita pelo endocrinologista, que é o especialista que deve, após suspeita no exame clínico, indicar um ultrassom e dar início ao rastreio, pois existem critérios específicos para a indicação de uma punção.

Isso porque, mesmo nódulos malignos podem ser de lenta progressão e não oferecer mortalidade. Você já deve ter ouvido de alguém: “o câncer de tireoide é o ‘segundo melhor’ dos cânceres”! Nenhum câncer é bom, claro, mas a progressão extremamente lenta desses tumores leva a uma relativa tranquilidade.

Existem quatro tipos de cânceres de tireoide e hoje, operam-se todos. Existem testes genéticos para estabelecer com acurácia quais casos supeitos na punção deveriam mesmo sofrer intervenção, mas infelizmente, hoje, ainda são muito caros.

No futuro, boa parte desses tumores serão apenas acompanhados, quando tivermos marcadores biológicos mais acessíveis. Sem esses marcadores de agressividade, seguem todos sendo operados.

O tratamento

O resultado foi positivo, nada de desesperar. A cirurgia será feita e, na maioria dos casos a glândula é totalmente retirada. Existem sim, ocasiões onde o cirurgião consegue retirar somente a parte onde o tumor está instalado, mas, mesmo assim, nem sempre é possível preservar a função da glândula, mas não é a maioria dos casos. Após o envio da peça cirúrgica para o exame anátomo-patológico, o médico vai decidir se o paciente deve receber o tratamento com iodo radioativo para destruir algum restinho de câncer que pode ter ficado em tecidos próximos, ou em um linfonodo.

O paciente que teve sua glândula retirada entra em hipotireoidismo e precisa tomar uma medicação que repõe o hormônio (T4) para regular o metabolismo. Existem algumas drogas no mercado que regulam essa função e o paciente passa a ter uma vida normal. Claro, com acompanhamento do endocrinologista.

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