sábado , 16 de dezembro de 2017
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Sulla

Sulla Mino – Elaine e seu mundo

Sulla Mino – Elaine e seu mundo

Não posso me comparar a um pássaro solto por aí, dando seus rasantes nos vales das sombras, sou de um tempo que já está fora, estou fora, no meu controle insano.

Não sou uma ave perdida entre dois mundos, agarrada a uma térmica silenciosa. Sinto dor, choro, sinto coisas absurdas dentro de mim, não sei entender e muitas vezes não quero aceitar.

Gosto do gosto amargo da fruta que como, de me despir para a noite sangrenta do meu desespero, não sou verbal, apenas abstrata.

Delicio-me recordando velhas lembranças esquecidas, aquelas que todos fazem questão de apagar das mentes doentias e loucas, dia após dia me reviro, enlouqueço no meu delírio, tudo imediato e constante.

Apego-me as tolices, feito brincadeira de criança levada, abro o baú, aquele jogado no sótão, me entrego em teus mistérios. Brinco com seus jogos meigos de cinco anos, me enrolo no lençol azul com balões coloridos, brinco com o apito, a peteca, pião..

Vivo cinco horas por dia, diante daquele baú sou mais mãe, mais eu, sem me importar com aqueles vermes conversando na sala de estar, destacando a crise financeira, revendo maneiras de me trancafiar, de me envolver naquele cadeado antigo do vovô.

O pássaro cinza decola mais uma vez, sente o vento em suas penas, plana, sente o gosto da liberdade, seus olhos mansos cultuam todo o vale escondido atrás dos montes, em um lugar aonde o homem inda não chegou pra destruir. E eu tenho a verdadeira guerra dentro de mim, conflitos e batalhas.

O baú ainda é meu velho e único companheiro, perto dele sou a estrela do palco, uma criança brincando, quando estou revirando-o sinto que meu pequenino ainda está em meus braços e é neste momento que sinto que posso voar, de alguma forma está fora da verdadeira realidade.

Agarrei-me ao baú, como se nele estivesse o mundo guardado, só meu, eles me puxavam, me tiravam a força daquele quarto, senti-me com a asa quebrada, sei que me levam novamente para a gaiola.